A aprovação da reeleição para os cargos de chefe de Executivo não foi complementada do modo adequado. O Congresso apenas aprovou emenda permitindo que o presidente, governadores e prefeitos concorram à própria sucessão, mas não se preocupou em complementar a idéia, inclusive levando em conta as próprias transformações que a inovação produziu. Seria necessária uma legislação que abrangesse toda a transformação que a idéia previa, inclusive em relação a questões como a desincompatibilização dos políticos no exercício, por exemplo, de cargos de confiança. A situação ficou desequilibrada: para o pleito deste ano, o presidente e os governadores podem concorrer à própria sucessão sem precisar se licenciar dos cargos. Mas ministros e secretários de Estado (além de muitos outros políticos em estatais, entre outros casos) terão de deixar os cargos caso queiram disputar algum posto nas eleições de outubro. Paralelamente, os parlamentares que pretendam disputar mandato, seja nas Casas em que já se encontram ou em outras, não precisam se desincompatibilizar, o que igualmente provoca desequilíbrio em relação aos não-parlamentares que pleiteiam uma vaga nos Legislativos.
Esta situação produz, tanto em nível federal quanto nos Estados, a necessidade de nova série de acomodações políticas, com a desincompatibilização dos que pretendem se candidatar. As consequências disto já têm sido percebidas e, em alguns casos, são muito sérias. O presidente Fernando Henrique Cardoso, em campanha pela reeleição, enfrenta dificuldades para a recomposição de seu Ministério. O fato de sua base política ser multipartidária torna as acomodações ainda mais complexas. Os partidos que dão sustentação ao Executivo em nível federal exigem sua ‘parcela’ nesta tarefa, que chega a parecer um verdadeiro ‘loteamento político’. Para complicar, como em muitos Estados os partidos que apóiam o Executivo federal se encontram em posições antagônicas, o que torna ainda mais complicada a missão de aparar as arestas nesta recriação ministerial.
É o caso do Paraná: o governador Jaime Lerner, candidato natural à própria reeleição, está hoje no PFL, legenda visceralmente ligada ao Governo federal. No Estado, a situação é diferente: o PSDB, partido do presidente da República, que colocou sérios entraves quando de algumas canhestras tentativas de ingresso de Lerner em suas fileiras, deve ter candidato contra Lerner no pleito regional. Logo, um prestigiamento do Governo federal ao governador do Paraná, em qualquer termo e mais especificamente em relação a Ministérios, representa um problema. A oposição é tão forte que não são poucos os que consideram a possibilidade de o Paraná acabar ficando sem nenhuma pasta na atual reforma do Ministério. E isto, sabe-se, não constitui apenas desprestígio ao Estado, mas representa também sérios prejuízos, já que o Estado ficaria em situação secundária diante dos outros que tenham representação no primeiro escalão.
É muito desalentadora a perspectiva e mais preocupante ainda a percepção sobre os reflexos negativos desta situação para o Paraná. Uma complicada equação política que envolve o presidente da República e o Estado do Paraná e que dificilmente atenderá a todos os interesses. O mais grave ainda é sentir que o maior prejudicado será o Estado, a população, cujas demandas deveriam ser prioritárias para o Poder, federal ou estadual. Infelizmente, porém, no quadro posto em face desta nova realidade da reeleição dos chefes do Executivo, não se conseguiu resolver questões tão simples e de interesse coletivo.

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