Epidemia silenciosa
Mais de 30 anos se passaram desde que foi diagnosticado o primeiro caso de aids no Brasil. Em Londrina, a primeira ocorrência foi confirmada três anos depois. Desde então, é inegável afirmar que foram registrados muitos avanços no tratamento de soropositivos. A doença ainda não tem cura, mas os coquetéis de medicamentos garantiram qualidade de vida aos infectados. No entanto, não impediram que a infecção continuasse a se alastrar no País.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 39 mil pessoas são contaminadas pelo vírus a cada ano. Não se pode negar que é um número bastante expressivo, apesar da relativa facilidade de proteção, como usar preservativo nas relações sexuais e não compartilhar seringas no caso de usuários de drogas. Autoridades em saúde alertam que não há grupos de risco, uma vez que todos estão sujeitos à contaminação. O assunto já foi discutido anteriormente em reportagens desta FOLHA e as estatísticas apontam que um aumento da incidência entre jovens e idosos.
Os jovens não vivenciaram o início da epidemia no Brasil, as mortes icônicas dos cantores Cazuza e Renato Russo. Já os idosos não têm o hábito de usar preservativo, o que torna esse grupo bastante vulnerável, principalmente após a popularização dos estimulantes sexuais. Essas realidades antagônicas mostram que as campanhas que deveriam informar e educar a população não têm sido efetivas. É preciso adaptar a linguagem a cada faixa etária e para cada região do País, uma vez que características regionais são bastante diversas.
Além de trabalhar para que a informação chegue às pessoas, é preciso também lutar contra o preconceito. Muitos ainda morrem sem saber que têm o vírus e isso ocorre porque têm medo de fazer o teste, de perder família, amigos e emprego. Essa é uma realidade presente no País, que precisa ser mudada. A proliferação do vírus se combate com informação e os infectados têm que ser acolhidos pela sociedade. A discriminação não estancará a disseminação da doença.





