Epidemia de dengue
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2003
Gilberto B. Martin e Silvio Fernandes 
O agravamento da situação da dengue nas últimas semanas em Londrina está sendo acompanhado de uma pergunta: afinal, estamos ou não tendo uma epidemia? Este questionamento pode gerar dúvidas com respeito à dimensão desse grave problema de saúde pública. Antes de mais nada, vamos deixar claro nossa posição: Londrina está diante de uma epidemia. Este fato tem levado à adoção de medidas pelas autoridades para o seu controle, desde o final do ano. No entanto, isto requer alguns esclarecimentos:
Primeiramente do ponto de vista técnico o termo epidemia é utilizado para situações onde há ocorrência incomum ou inesperada de uma doença ou ainda como ocorrência obviamente excessiva de uma doença em uma comunidade ou área. O diagnóstico de epidemia não depende apenas do número de casos. Um único caso pode ser uma epidemia desde que caracterize uma situação inusitada e grave.
Em segundo lugar, o sistema de notificações do município para detectar casos suspeitos ou confirmados é importante. Se este sistema falha podemos ter uma falsa impressão de que a situação está tranquila quando, na verdade, já podemos estar tendo uma situação de epidemia. Na epidemia do ano passado na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, foram confirmados cerca de 200 mil casos. Técnicos experientes que acompanharam a situação supõem que este número corresponda a apenas 10% dos casos que realmente ocorreram. Ou seja, a cidade deve ter tido, de fato, mais de 2 milhões de casos de dengue. Se isso for verdade a epidemia poderia ter sido detectada mais precocemente se as notificações tivessem sido mais numerosas.
O terceiro ponto é que aqui em Londrina a situação é grave pois neste ano tivemos a doença causada pelo vírus tipo 3, que costuma dar sintomas mais intensos que os outros tipos de vírus, o que está levando mais pessoas a procurarem o médico. Além disso, a Saúde Pública tem se preocupado em melhorar a notificação dos casos, fazendo busca ativa de suspeitos, mesmo daqueles que não procuraram o médico, para ter um panorama bem realista da situação e com isso facilitar todas as medidas de controle.
Levando em consideração estes aspectos técnicos deveríamos ter um período histórico com controle semelhante ao atual para ter mais segurança de estabelecer o que costumamos chamar de limiar epidêmico. Entre os nossos técnicos costumamos dizer que no momento, baseado nas informações confirmadas, temos uma epidemia explosiva na região leste, grave na região oeste e um surto na região norte. Diante disso, o que importa é reforçar que a situação é grave, diagnosticar e tratar adequadamente todos os casos, combater o mosquito e reduzir a incidência da doença.
O controle dessa doença, independentemente de considerarmos ou não epidemia, não depende apenas do poder público, e por este motivo a população tem sido constantemente convocada a se envolver nessa tarefa. Agradecemos aos milhares de voluntários e as diversas entidades e instituições que estão atendendo nosso apelo e nos ajudando a combater a doença, e fazemos um apelo aos que ainda não aderiram para entrar no combate conosco.
GILBERTO BERGUIO MARTIN é diretor da 17 Regional de Saúde; SILVIO FERNANDES é secretário de Saúde de Londrina


