Tenho pensado: será o brasileiro realmente maluco ou forças ocultas, no escondidinho das alicantinas e das mutretas, ficam instigando nosso povo no infinito caminho das posições retrógradas e puerís? Imaginem, no começo do século, Osvaldo Cruz quase sendo linchado porque desejava, cientificamente, sanear o Rio de Janeiro, então indigitada como metrópole acolhedora da elite e das cabeças avançadas do Brasil! Que elite, hein? A emoção e a bobagem quiseram aniquilar a razão; e quase triunfaram!
Quem manda na formação de opinião do brasileiro de todos os quadrantes: televisão, rádio e jornais marrons ou orquestração de escritórios recheados de colarinhos brancos e mãos graúdas? Democracia frouxa e sem autoridade causa um estrago danado nos grandes objetivos do País. Taí o fio da meada para grandes teses e enormes questionamentos da imaturidade endêmica da sociedade brasileira, quando do posicionamento defronte ao sério, correto e/ou inadiável.
Na pauta do dia, e na premência do momento, o governo federal fincou a estaca diretiva na areia movediça dos transplantes. Veio a lei e explodiu a revolta. Ontem, o que era romântico e cristão, com o povo sensibilizado para doar córneas, rins, coração etc, transmutou-se hoje em paquidérmicas dúvidas e pânico com sedição à simples indagação: quer ser doador de seus órgãos?
Não tínhamos lei e a coisa fluía lentamente, mas fluía. Hoje, temos uma boa lei e temos também assustadora oposição e irracional negativa de grande maioria de todas as camadas da população. A lei não foi sequer lida (para ser aperfeiçoada) e já foi apedrejada. E apedrejada com argumentação nanica e nebulosa, pela qual querem vulgarizar o conceito de morte encefálica; como se todos os médicos fossem vampiros às voltas com o comércio de cadáveres.
Santa ingenuidade nacional. Estranho povo e estranho entendimento do que é prioritário. É de questionar: a desconfiança é para com os médicos ou é com a lei? Nos dois casos, na tonalidade afirmativa, a grande derrota é da Nação brasileira. Uma nação onde os sócios não confiam em seus médicos e em suas melhores leis é uma nação vazia e de cabelos brancos e ralos. Isto tem validade se for decididamente comprovado que o brasileiro não é maluco.
Só então devemos partir para o lado oposto e lancetar os numerosos abcessos das sombras marrons e dos grandes interesses na venda de confusão e de notícias entorpecentes, e expor os envolvidos, com a Lei da Vantagem sob qualquer preço, à luz do sol para queimá-los com os fatos e relatos dos milhares e milhares de seres humanos que levam uma vida digna e produtiva, porque receberam a mão abençoada de um doador anônimo e comprometido com os valores maiores da vida e do amor.
Transplante de órgãos é progresso másculo para a civilização. É, ainda, ponto culminante da Medicina; é a grande vitória, neste século, para abnegados e iluminados médicos que, com inteligência e esforço, trabalharam para que os doentes transplantáveis tivessem sossego e socorro e alívio. Com toda certeza, Cristo é o patrono e grande inspirador deste fenomenal recurso da ciência médica, no atendimento à segunda de Suas leis: amai ao próximo como a si mesmo!

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