Envelhecer e participar da democracia
O primeiro turno das eleições de 2026 registrou redução da abstenções entre eleitores com mais de 70 anos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
O primeiro turno das eleições de 2026 registrou redução da abstenções entre eleitores com mais de 70 anos
Folha de Londrina 
A redução da abstenção entre eleitores com mais de 70 anos no primeiro turno das eleições de 2026 é uma boa notícia para a democracia brasileira. Segundo levantamento do Movimento Voto 70+, o percentual de idosos que deixaram de comparecer às urnas caiu de 58,8%, em 2022, para 49,1% neste ano. Embora o avanço seja significativo, o número ainda revela um desafio: quase metade dos eleitores dessa faixa etária não participou da votação, mesmo em um momento decisivo para os rumos do país.
No eleitorado em geral, a abstenção em 2026 foi de 21,08%, o que significa que 33 milhões de brasileiros aptos deixaram de participar.
O voto é facultativo para eleitores com mais de 70 anos, assim como para os analfabetos e para os jovens com mais de 16 e menos de 18 anos. Na hora de votar, eleitores com mais de 80 anos têm prioridade nas filas das seções eleitorais.
A redução ocorreu em um cenário de expansão do eleitorado de mais de 70 anos, que passou de 14,9 milhões, em 2022, para 17,2 milhões de pessoas aptas a votar em 2026. O grupo cresce para 36,8 milhões de eleitores se forem considerados também os que têm mais de 60 anos.
O envelhecimento da população brasileira exige que a sociedade reveja conceitos e comportamentos. A longevidade não significa perda de interesse pela vida pública, tampouco diminuição da capacidade de contribuir para as decisões coletivas. Ao contrário, a experiência acumulada ao longo de décadas pode oferecer perspectivas valiosas sobre as transformações econômicas, sociais e políticas do país. A participação dos idosos, portanto, não deve ser tratada apenas como uma questão de inclusão, mas como parte essencial do fortalecimento democrático.
Um estudo realizado pela Movimento Voto 70+ identificou três perfis entre os eleitores com mais de 70 anos que deixariam de votar ou não tinham certeza se iriam comparecer às eleições de 2026. O primeiro é o eleitor com “baixa autoestima política”, que acredita que seu voto não faz diferença. O segundo é o eleitor que considera que o resultado da eleição já não terá impacto sobre sua vida. E o terceiro é o eleitor que deseja votar, mas enfrenta barreiras físicas, como filas, distância do local de votação ou dependência de terceiros para se deslocar até a zona eleitoral.
Para os pesquisadores, entender essas diferenças é importante para compreender por que um eleitorado que cresce tão rapidamente continua apresentando níveis tão elevados de abstenção.
Importante ressaltar que o direito ao voto não perde seu valor com o passar dos anos. Ao contrário, continua sendo um instrumento para influenciar decisões que afetam a saúde, a previdência, a mobilidade, a segurança e a qualidade de vida. Uma sociedade que vive mais precisa, necessariamente, aprender a incluir melhor todas as gerações. Envelhecer não é deixar de participar do futuro e a democracia tem muito a ganhar quando essa participação é estimulada e respeitada.
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