O Brasil, felizmente, não está atolado no caldo turvo do populismo e do cinismo. Não se depender, por exemplo, de pessoas como Dunga, o técnico da Seleção que não joga para a mídia esportiva e, por isso, leva pau. A revista Veja, na edição de ontem, publica reportagem sobre a postura de Dunga e destaca uma frase de Dunga que muita gente gostaria de assinar em baixo. Mas poucos assinariam sem antes perguntar: Será que as pessoas vão gostar de ouvir isto? Quem faz esta pergunta, titubeia e recua. O Brasil está coalhado, no sentido literal, de lideranças assim, sem posição ou de dupla face. Sem posição e sem personalidade.
Mas a frase de Dunga não tem nada de inusitado, fluiu naturalmente: ''Estão acostumados com os políticos, que falam o que as pessoas querem ouvir. Eu não sou político, eu falo o que as pessoas precisam ouvir. Às vezes não agrada''.
Como Dunga, há outras pessoas preocupadas com a coerência e sinceridade. Uma das mais respeitadas personalidades do Judiciário, a desembargadora Lidia Maejima, também mostrou-se superior e foi direta, semanas atrás, ao manifestar seu ponto de vista. Procurada para dar entrevista sobre violência, a doutora Lidia Maejima defendeu que é preciso aplicar a lei, punir. E fez outras colocações sem rodeios, sem eufemismos, apenas mostrando clareza sobre questões polêmicas. O resultado foram manifestações de elogios por telefone e e-mails. O que mostra que a sociedade e os formadores de opinão estão querendo posições firmes.
Mas é preciso reconhecer que são muitas as pessoas que falam sem a preocupação de fazer ''média''. A coluna de cartas, felizmente mostra uma postura isenta dos nossos leitores. O Coronel Carmelo Zapalá Giufrida, em entrevista a este jornal, fez colocações que desmentem muitas informações do ex-secretário de segurança do governo Requião sobre segurança. Não teve a preocupação de falar o que as autoridades gostariam de ouvir.
Mas, por que destacar o autêntico, se falar a verdade, em última análise, é obrigação? Porque o brasileiro não está acostumado com verdades que, às vezes, incomodam. Prefere ouvir gracinhas. E porque já se acostumou com as mentiras ou as verdades relativas. Porque as autoridades que estão no topo do poder não se dão ao respeito. E também porque teremos muitos discursos na campanha eleitoral. Vão prometer infindáveis benesses e vão dizer que o povo não precisa trabalhar pois haverá uma multiplicação de tudo e de todas as bolsas e cesta. O que preocupa não são as promessas. Mas o seu cumprimento.

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