Entre a vida e a morte, uma escolha coletiva
O Brasil envelhece; ao mesmo tempo, avança na capacidade de salvar vidas desde o nascimento até a velhice
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2026
O Brasil envelhece; ao mesmo tempo, avança na capacidade de salvar vidas desde o nascimento até a velhice
Folha de Londrina 
Os números do Sisu (Sistema de Seleção Unificada) 2026 no Paraná vão além da disputa por vagas em universidades públicas. Eles revelam um movimento silencioso, porém contundente, da sociedade brasileira: a compreensão de que viver mais exige cuidar melhor. A expressiva concorrência por cursos da área da saúde e bem-estar, como medicina, biomedicina, fisioterapia e psicologia, é um reflexo de prestígio profissional e um retrato fiel das transformações demográficas, científicas e sociais do país.
O Brasil envelhece. Ao mesmo tempo, avança na capacidade de salvar vidas desde o nascimento até a velhice, graças ao progresso das intervenções médicas. Em entrevista à FOLHA, a professora e diretora do CCS (Centro de Ciências da Saúde) da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Andrea Name, considerou que a demanda por formação em cuidado especializado decorre da maior necessidade da população, que além de ter uma longevidade maior, com o país envelhecido, também sobrevive mais, considerando o avanço nas intervenções médicas.
“A gente aumenta a possibilidade de vida desde o nascimento até o envelhecimento", pontuou. Name disse que a área da saúde vem se reinventando para contemplar pessoas de diferentes formas, “desde conseguir tratar doenças, até prevenir e agora reabilitar”. Para ela, o fator explica a procura de vestibulandos pelos cursos de medicina, fonoaudiologia e fisioterapia, visto que “trabalham este outro lado, a reabilitação".
É nesse ponto que a alta procura por cursos ligados ao cuidado especializado se torna um alerta. Os vestibulandos parecem compreender, talvez melhor que muitos gestores, que saúde não se resume à cura imediata, mas envolve acompanhamento, prevenção e qualidade de vida. A reabilitação de pacientes que sofreram um AVC, o cuidado com crianças autistas, o suporte a idosos com limitações funcionais são demandas crescentes em uma sociedade que vive mais — e que precisa viver melhor.
Outro fator determinante nesse cenário é a democratização do acesso ao ensino superior. A gratuidade das universidades públicas, o Sisu, o Enem e as políticas de cotas ampliaram o direito de escolha. Hoje, mais jovens podem sonhar com cursos antes restritos a uma parcela da população. Esse avanço social, no entanto, traz consigo uma responsabilidade coletiva: a de alinhar a formação acadêmica às necessidades reais da população, especialmente no âmbito do SUS.
Nesse contexto, a criação de novos cursos, como fonoaudiologia e a proposta de terapia ocupacional na Universidade Estadual de Londrina deve ser vista como uma resposta urgente a vazios assistenciais históricos, sobretudo na saúde básica e na reabilitação. Formar profissionais dentro do sistema público, com atuação direta em hospitais e unidades básicas de saúde, é fortalecer a rede e garantir que o direito à saúde não se limite ao diagnóstico, mas alcance a recuperação e a dignidade.
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