Neste primeiro de maio o trabalhador não terá muito o que comemorar. A taxa de desemprego vem batendo recordes seguidos e a proposta do governo para solucionar o problema não traz alento, pelo contrário. O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, defende a redução dos salários e dos direitos trabalhistas como forma de manter o nível de emprego no país. No meio governista prevalece a idéia de que o sacrifício maior será sempre do empregado, que vive entre a cruz e a espada - ou abre mão de conquistas alcançadas em anos de luta ou perde seu ganha-pão.
A conta do empresariado é menor. Para o grande, sempre vem socorro em forma de financiamentos especiais e incentivos fiscais. A divisão dos lucros ou a diminuição dos ganhos em momentos de crise são práticas sequer imagináveis pelos técnicos do governo. Isto porque não existe disposição real de mudar uma estrutura que permite ganhos fabulosos de uns poucos em detrimento da grande maioria, os trabalhadores, que no Brasil recebem um dos piores salários do mundo.
Esta mesma estrutura propicia a concentração exagerada da renda no Brasil, que neste ponto só perde para um único e inexpressivo país africano. Daí ser inaceitável a tese de abaixar ainda mais os salários para manter o nível de emprego. Também soa incoerente com princípios de desenvolvimento social projetos como o contrato temporário de trabalho, que, em última análise, tira dinheiro dos cidadãos mais pobres para garantir o lucro ascendente das empresas. O governo, quando toma essas atitudes, não pensa em justiça social, apenas aplica medidas paliativas e pouco eficazes para combater um mal que avança rapidamente e que exige medidas mais profundas, que tragam o aumento efetivo de vagas e preservem o já reduzido poder aquisitivo do trabalhador.
Os recordes de desemprego continuam sendo batidos mensalmente. E a cada novo índice anunciado, o governo ameaça cortar mais na carne do trabalhador sem, contudo, dispor-se a mexer na raiz do problema, onde estão inseridos fatores como altas taxas de juros e a falta de investimento em educação. Este segundo item cria um exército de mão-de-obra desqualificada que acaba empurrada para a criminalidade por total falta de espaço no mercado produtivo.
Desde que tomou posse o governo FHC vem apresentando propostas que visam à extinção dos direitos constitucionais, como FGTS, abono de férias, décimo terceiro, licença-maternidade, entre outros. Também vem fazendo o jogo dos mega-empresários da indústria paulista que forçaram a diminuição dos salários de seus operários sob ameaça de desemprego. É preciso salientar que os direitos trabalhistas são frutos de longos anos de luta em busca de justiça social. Querer extinguí-los é um insulto. Não é empobrecendo ainda mais a população deste país que galgaremos o caminho do pleno desenvolvimento.

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