A falta de estrutura logística no Brasil é uma velha conhecida da cadeia produtiva. Além da burocracia legal, do excesso de impostos e tributos, do péssimo estado de conservação das rodovias e do alto preço dos pedágios, a falha na armazenagem de grãos é outro problema recorrente. Além de reduzir parte da produção, devido à estocagem incorreta, essa perda de qualidade pode reduzir o valor pago pela saca.
Reportagem de ontem da Folha Rural aborda a questão. Embora o Paraná tenha a maior capacidade estática do País, com condições de abrigar 27,9 milhões de toneladas distribuídos em 3.582 armazéns, ainda está longe do ideal. O Estado é um dos maiores produtores de grãos do País, uma vez que alterna a liderança do ranking com o Estado de Mato Grosso, ainda tem uma economia dependente do agronegócio e não pode continuar com uma armazenagem falha até porque isso representa uma redução das divisas.
O País como um todo é grande exportador de commodities agrícolas e, ao considerar as perdas totais, provocadas por falhas na armazenagem ou por problemas no transporte, essa quantidade é multiplicada. Estimativas indicam que, para este ano, a estrutura de armazenagem deverá ser suficiente, o que não significa que a capacidade é adequada. Neste ciclo a produção está estimada em 17,3 milhões de toneladas, menor do que as colheitas anteriores, provocada por perdas na produção.
No entanto, ao que tudo indica, esse cenário começa a ser modificado. Projeto denominado Corredor de Exportação pretende investir R$ 15 milhões para melhorar a estrutura destinada ao comércio exterior. A iniciativa é extremamente positiva porque deverá reduzir de 15% a 20% o ''custo Paraná''. Isto significa uma redução de custos e mais lucros para a cadeia do agronegócio. Além disso, a modernização das estruturas vai agilizar o desembarque nos portos, uma vez que a carga já chegará classificada.
Projetos como esse deveriam ser estendidos e adaptados a todas as outras cadeias produtivas, que carecem de investimentos. Produtores rurais e empresários se modernizaram, implantaram um modelo eficiente de gestão, com produção de qualidade e baixos custos. No entanto, grande parte disso é perdido durante as etapas da produção, seja em pagamento de impostos ou na logística, e isso precisa ser modificado.

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