Então que venha a Banda C
Então que venha a Banda C
Amilcar Marques
A telefonia celular, como qualquer sistema de transmissão via rádio, opera em frequências controladas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para evitar interferências. No começo do celular no Brasil, em 1991, optou-se pela faixa de frequências em torno de 800 MHz (megahertz), dividida em duas bandas: A, utilizada desde aquele início, e B, de 1998 em diante, quando começou a competição no setor antes estatizado e monopolístico.
Como numa estrada, é limitada a capacidade de tráfego, e naturalmente ela tende a se esgotar, primeiro nos maiores centros, depois nas cidades menores. Por isso, é preciso abrir novas estradas, isto é, bandas de frequência, a fim de acomodar o crescimento do tráfego. Em paralelo, ocorre também pressão pela entrada de novas operadoras de telefonia celular, a fim de aumentar a competição, que resultará em serviços melhores e mais baratos.
Estados Unidos e Canadá optaram por expandir a capacidade na frequência de 1.900 MHz com o serviço batizado de Personal Communications System (PCS), ou Sistema de Comunicações Pessoais. Já a Europa escolheu a frequência de 1.800 MHz e a continuidade do sistema que usava, o Global System for Mobile Communications (GSM).
O Brasil começou ano passado a estudar a evolução para a chamada banda C, e agora a Anatel está para decidir qual será a faixa de frequência: 1.800 ou 1.900 MHz. Para a de 1800 MHz, GSM é a única tecnologia disponível, e isso tornaria nossos equipamentos incompatíveis com os dos outros paises do continente (EUA, Canadá, Argentina etc) que utilizam a frequência de 1.900 MHz. O uso desta, além de possibilitar escolha dentre todas as tecnologias (CDMA, TDMA e GSM), traz a vantagem adicional da compatibilidade com as bandas A e B e também com a banda de 1.900 MHz o que não ocorreria com a banda de 1.800 MHz.
O principal problema de usar agora os 1.900 MHz está na evolução para a 3ª geração de telefonia celular, prevista para ocorrer a partir de 2004 no Brasil, e que precisaria dessa frequência. No entanto, como todos os outros países da América, incluindo EUA, estão na mesma situação, acredita-se que em breve poderá ser encontrada uma solução para isso.
De todo modo, definida a frequência e regulamentado o serviço, o que deve ocorrer ainda neste ano 2000, vem o processo de licitação das novas licenças, para operação efetiva dos sistemas a partir do segundo semestre de 2001 primeiro nos grandes centros (Rio, São Paulo etc), evoluindo gradativamente para as cidades de menor porte.
Qualquer que seja a decisão, o que se espera é que aumente sempre a oferta de mais e melhores serviços, consolidando a opção que o Brasil fez pela competição como meio de atender as necessidades do brasileiro. A, B ou C, que todos sirvam bem a ele.
- AMILCAR MARQUES é diretor de Assuntos Regulatórios da Global Telecom





