Ensino tecnológico cresce 24% ao ano
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domingo, 19 de abril de 2009
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A demanda por profissionais preparados para mercados específicos abriu uma brecha para a expansão dos cursos tecnológicos. Existem 102 cursos no Brasil em 3.700 pontos de oferta e segundo a Coordenação de Supervisão da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica (Setec) do Ministério da Educação (MEC), o ensino tecnológico cresce 24% ao ano, contra 6% do ensino superior. O sucesso está na mescla do conhecimento universitário com a prática do curso técnico.
"São profissionais como uma visão abrangente, porém concentrada na exigência da atividade que ele escolheu trabalhar. Ele entra no mercado mais rápido e melhor preparado já que a prática faz parte do currículo", comenta o coordenador de supervisão do Setec, Aléssio Trindade de Barros. A modalidade de tecnólogo é equivalente a um curso superior e habilita ao ingresso em pós-graduações, especializações, mestrados e doutorados. O período de estudo é menor em relação à graduação (bacharelado), cerca de dois ano e meio, mas o registro profissional, em alguns casos, é o mesmo.
Em termos comparativos, um curso superior de tecnologia promove a inclusão social e profissional do aluno em um tempo mais rápido e efetivo do que um curso de bacharelado, afirma o diretor da Faculdade INED Londrina, Marcos Gois.
A necessidade de aprimorar a mão-de-obra e torná-la mais competitiva, oportunizou que alguns cursos antes oferecidos como qualificação profissional (cursos livres ou técnicos) ganhassem o estatus de nível superior. "A estratificação do mercado exigiu uma especialização mais direcionada, por isso a melhora na grade curricular de alguns cursos e a elevação deles ao nível superior", avalia a diretora do curso de Gastronomia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Helena Maria Simonard Loureiro. Ela comenta que o profissional de gastronomia é confundido com cozinheiro - condição de quem frequenta um curso específico para isso - apesar de concentrar outras habilidades. "O conhecimento se expande para a gestão de restaurantes, gerenciamento de alimentos e bebidas, enogastronomia, técnicas de serviço, noções de nutrição e administração, entre outras", enumera Helena Maria.
O sonho de ser dono de um restaurante foi o que motivou o calouro de gastronomia Antônio Vitorino a prestar o vestibular. "A universidade oferece uma abrangência que os cursos livres não tem. Aprender profundamente sobre sanidade, gerenciamento, higiene e empreendedorismo, além da prática do saber fazer são fundamentais para direcionar a minha carreira", conclui.
O coordenador do Centro Tecnológico da Universidade Positivo Alexandre Rosa comenta que a formação de tecnólogo ainda não é popular, mas já muito absorvida pelo mercado. "Nestes tempos de crise tornou-se uma mão-de obra sem necessidade de gastos com treinamento por ter um ensino mais focado na especialização e na prática", analisa. Ele alerta que o futuro tecnólogo deve verificar a qualidade do local onde vai estudar.
O Centro Tecnológico da UP foi inaugurado há oitos meses e conta com oito cursos. No segundo semestre outros três serão lançados. O que tem feito muito sucesso entre os recém-saídos do Ensino Médio é o curso de Jogos Digitais. O estudante sai um especialista em geração de projetos (designer) e conteúdo para jogos de computador e vídeo games.


