ENSINO SUPERIOR E O DIPLOMA NÃO VEM...
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sábado, 08 de março de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Se até o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chorou diante de doutores por ocasião de sua diplomação como presidente - foi o primeiro diploma que recebeu em sua vida - é possível imaginar o que sente um cidadão comum ao atingir a tão almejado sonho. Infelizmente, algumas dezenas de acadêmicos no Brasil caem em armadilhas ao ingressarem em cursos sem a devida autorização ou sem o reconhecimento do Ministério da Educação (MEC). ''Muitos têm medo de chegar ao fim do curso e não conseguir o diploma'', desabafa a estudante Karin Teles Benitez, que cursa o primeiro ano de zootecnia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O sonho de um dia receber seu diploma existe na cabeça de milhares de pessoas. Apesar disto, ao optar por uma profissão ou universidade, a maioria dos estudantes não investiga a situação em que cada um se encontra. Ao final do curso, muitos vão parar na Justiça, requerendo indenizações por danos morais e materiais por não ter colocado as mãos no tão sonhado diploma. ''É impressionante a atitude e o pouco caso que algumas universidades têm com os alunos'', critica a advogada Fabiane Schanaid, que defende na Justiça, desde 2001, os egressos do curso de farmácia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), Ellen Rita Santana e Eric André Fumieri, entre outros.
Eles se formaram há dois anos e não receberam o diploma na época. O diploma provisório veio depois. Enquanto a advogada diz que os estudantes obtiveram o registro provisório, posteriormente, por determinação de uma medida judicial, a pró-reitora de Planejamento e Avaliação da Unopar, professora Elisa Maria de Assis, considera que ''não foi por causa da universidade, o atraso no reconhecimento deste e demais cursos, e sim pelo atraso do processo de avaliação do MEC''.
Com mais de 450 mil habitantes, Londrina concentra hoje um grande número de universidades e instituições de ensino superior. Entre elas, além da UEL, Universidade Norte do Paraná (Unopar), Pontifícia Universidade Católica (PUC), Centro Universitário Filadélfia (Unifil) e Faculdade Metropolitana Londrinense (UMP). Para se ter uma idéia, todas têm cursos não-reconhecidos pelo MEC.
O medo de não ter o curso reconhecido pelo órgão competente assusta até mesmo acadêmicos da tradicional Universidade Estadual de Londrina (UEL), com 31 anos de existência. É o caso dos estudantes de zootecnia e biomedicina. Por conta disto, segundo a representante dos alunos no colegiado do curso, Karin Teles Benitez, que também cursa o primeiro ano, alguns alunos que deveriam se formar em 2005, desistiram de levar a zootecnia até o fim. Na tentativa de legalizá-lo, a UEL adotou medidas para acelerar o processo. ''A universidade não está levando em conta o que o acadêmico pensa sobre esta estratégia'', salienta Karin.
Segundo ela, algumas disciplinas estão sendo reunidas, a exemplo da bromatologia, pedologia e alimentação para animais. ''Isto tem provocado o aumento excessivo da carga horária'', complementa Karin. Para ela, esta medida diminuiu o tempo de estudo de cada acadêmico.
Outro curso da UEL, que também está na lista dos ''sem diploma'', é o de biomedicina. A primeira turma de biomédicos - profissional que se dedica à pesquisa biológica aplicada à prevenção - deve concluir os estudos em fevereiro do próximo ano. Apesar da proximidade da data e da preocupação, a representante dos estudantes no colegiado, Helen Cristina Miranda, confia na universidade. ''Isto está nas mãos do colegiado. Acho que eles vão dar conta de obter o reconhecimento em tempo hábil'', defende ela.
A assessora Maria Inês Nobre Ota, da Diretoria de Apoio à Ação Pedagógica, da Coordenadoria de Assuntos de Ensino de Graduação da UEL, esclarece que os dois cursos - zootecnia e biomedicina - estão em implantação. ''O reconhecimento ocorre somente no ano da formatura da primeira turma'', salienta. Além destes, os cursos de farmácia - habilitação farmacêutico - e ciências do esporte estão com o processo de reconhecimento em tramitação, e os de desenho industrial e artes cênicas estão em fase mais adiantada, já com parecer positivo do Conselho Estadual de Educação. ''Estamos aguardando apenas o decreto ser publicado'', informa.


