Em artigo publicado neste espaço, no último dia 18 de março, intitulado ''Educação e a PUC Londrina'', o magno reitor da PUC Paraná, sr. Clemente Ivo Juliatto, assinala os marcos históricos de fundação da PUC Paraná (14.3.1959), da PUC Londrina (14.3.2003) e a doação do terreno pela Prefeitura de Londrina à esta instituição. E comenta que os políticos Cícero e John Kennedy e o filósofo Aristóteles viam a educação como mola-mestra para o progresso de uma nação. Mas não fala como eles pensavam do ensino privado e pago.
O magno reitor credita a doação do terreno pela Prefeitura à PUC Londrina ao empenho do prefeito em assimilar a lição de Cícero e Kennedy. Certamente fez essas considerações na tentativa de contemporizar a indignação da população. Pois essa ''generosa'' doação, mesmo tendo a anuência do Legislativo municipal, contrariou princípios legais, como: disposições da LDB - Lei de Diretrizes de Base da Educação e, do parágrafo 2º do artigo 211, da Constituição Federal.
São alarmantes as endemias em Londrina: a dengue, conjuntivite e outras calamidades que infestam a população. E o governo adota a retórica como solução. A violência aterroriza. Disso, também, o Executivo municipal pode querer se eximir, por entender que a área de segurança pública é dever do Estado? Mas não deveria, visto que a gestão pública em favor do bem-estar do povo comporta ações integradas.
As mazelas da administração de Londrina decorrem de muitos erros, como o mau uso do dinheiro público com a própria doação do terreno à PUC Londrina (R$ 2,5 milhões); a gravação do filme Gaijin 2 (R$ 400 mil); as obras do lago Igapó; a propaganda da Sercomtel no Basquete Londrina; o programa de saúde (agentes de combate à dengue) convênio Santa Casa de Londrina; e as demissões do pessoal da frente de trabalho. Esses erros contribuem para agravar as desgraças que a população vem sofrendo.
É inconcebível entender como o poder público, federal, estadual ou municipal, sem recursos econômicos para prover e/ou reestruturar o seu sistema de ensino, transfere recursos à instituição de ensino privado, que investe na educação visando lucro, e para sobrepor os interesses do poder público?! É visível que o Brasil precisa, sim, investir forte no ensino público e, sendo o poder público gestor das políticas educacionais, crítica, formadora e transformadora, e sem proselitismo à iniciativa privada.
Seria digno que a população pudesse alcançar de seu prefeito, também, assimilando e produzindo atos para construir um processo de organização, capaz de democratizar e politizar o debate social, para garantir o direito do pleno acesso ao ensino fundamental a todos os jovens de seu município. E que as datas de 14 de março, de 1959, e de 2003, respectivamente, em Curitiba e em Londrina, marcassem semelhança com o dia 14 de julho de 1789, na França, e pudessem inaugurar a queda da ''Bastilha da Educação no Brasil''. E sem guilhotina!
ROQUE ALVES é secretário-geral do Instituto Londrinense de Educação, Cultura e Cidadania

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