ENSINO INTEGRAL - Londrina discute o contra-turno
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Menores infratores, tempo ocioso, geração fast food e internet. Denominações para os efeitos não faltam quando se fala no atual modelo de ensino adotado pelas escolas públicas brasileiras. Entusiasta do ensino em período integral, a vereadora Sandra Graça (PP) é autora de um projeto que trata exatamente do assunto: a implantação do regime, das 7h às 17h, na Rede Municipal de Ensino de Londrina. Em entrevista à FOLHA, Sandra defende a adoção gradativa e por necessidades do modelo, já consagrado em países da Europa e nos Estados Unidos.
Em que consiste o projeto?
Primeiramente, queremos deixar clara a importância da educação na formação da criança. Por isso, queremos que isso aconteça com o período integral, tornando o tempo ocioso da criança um tempo de desenvolvimento de suas habilidades, ligado ao conteúdo que ela recebe na educação normal. A intenção é agregar atividades, no contra-turno, tirando essa criança da rua, permitindo que a mãe possa trabalhar de forma tranquila, na complementação de renda.
A adesão seria facultativa?
Não. A idéia é que não seja. Ao implantar a educação em tempo integral, nós temos que ter como base uma pesquisa de análise do cenário, da demanda existente na região. Após esse estudo, aí sim, promove-se a implantação. Londrina, por exemplo, já tem mapeadas suas necessidades, o perfil de cada comunidade. Uma vez decidido e discutido isso, com o corpo de professores e demais segmentos do município, a escola integral deve fazer parte da grade curricular. É um investimento que o município faz na formação da criança.
A educação, então, não seria um problema exclusivo da Secretaria Municipal de Educação?
De forma alguma. As equipes de outras secretarias que estão desenvolvendo atividades em outros bairros terão que sentar junto e compor um pacto. Pacto esse que não envolveria somente a educação. Envolveria, também, o esporte, a cultura, a agricultura e questões ambientais, por exemplo. A intenção é que haja uma afinidade, uma linguagem linear entre todos aqueles que desenvolvem uma atividade com a criança, facilitando o processo de aprendizagem e otimizando esses recursos.
Mas isso não geraria ainda mais gastos?
Não. Seriam investimentos que trazem grandes resultados. Os lucros, no caso, não são financeiros. Vão muito além: evitaríamos que as crianças fossem internadas em clínicas de reabilitação, pelo consumo de drogas, entre tantas outras coisas ruins relacionadas à violência.
E a implantação seria ao estilo ''faz-se tudo de uma vez'' ou ''a conta-gotas''?
Acredito e o que queremos é que esse processo de implantação da educação em tempo integral seja feito gradativamente no município. Em Apucarana, por exemplo, uma escola da rede municipal decidiu não optar pelo tempo integral porque, no contexto em que ela vive, o público que ela atende, não tem essa necessidade. Tudo isso não é imposto a uma comunidade, é fruto de uma análise, de um contexto e como forma de premiar quem de fato precisa. Importante lembrar e resgatar que não é somente a escola que educa e sim a família, a escola e todos os segmentos da sociedade. Por isso, a importância da família nesse processo.
O que podemos esperar, para breve?
O projeto já foi protocolado e a Comissão de Justiça emitiu seu parecer. Ao invés de dar seu parecer definitivo, ela emitiu um parecer prévio, ou seja, vai para o prefeito, para que ele dê uma posição sobre o projeto e depois ele retorna para a Câmara para que a gente dê um parecer final. Emendas podem ser apresentadas e o projeto é aberto a sugestões.


