Apucarana, que tem ensino integral desde 2001, não ficou entre as dez melhores cidades do Brasil no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), prova que avaliou o conhecimento dos estudantes de 1º a 4º séries do ensino fundamental. A cidade teve média geral de 4,6, enquanto Arapongas obteve 4,9, Rolândia e Sabáudia 4,8. O secretário de Educação da cidade, Cláudio Aparecido Silva, questiona os critérios da avaliação. ''Será que uma avaliação dessas mede os ganhos do ensino integral? Talvez um teste feito em um determinado momento não consiga abarcar essa realidade toda que considero muita rica.''


A que atribui essa nota baixa?
Nossa equipe está fazendo um dossiê com todas as informações possíveis para avaliarmos. Porque os critérios de avaliação, pelo menos para nós, têm alguns pontos obscuros, que precisam ser melhor analisados. Há algumas condições que não sei se entraram na avaliação. Por exemplo, temos alguns elementos de natureza social, a questão de dar uma alternativa para aquelas crianças que estavam na rua, alimentação, acesso à cultura, esporte, línguas estrangeiras.

A avaliação é feita em cima de conhecimento, afinal são notas das disciplinas de português e matemática?
Aí é que está a questão, será que avaliação é somente nota? E será que uma nota reflete exatamente o desenvolvimento que essa criança está tendo? É um número e isso é subjetivo. Aqui as crianças desenvolvem múltiplas habilidades que serão levadas para toda vida, não sei se isso pode ser medido em uma avaliação como essa.

Pretendem questionar a avaliação ou sugerir mudanças nos critérios?
Por enquanto estamos na etapa do ver. Primeiro precisamos ver, depois julgar para, na última etapa, agir. Estamos conversando com nossa equipe avaliando e vamos ver, se for necessário fazer alguma contribuição faremos. Se temos o papel de ajudar a formar um cidadão crítico, participativo, consciente e acima de tudo autônomo nas suas decisões e encaminhamentos, então não podemos ser reféns de números, modismos. Temos que ter uma visão muito clara de onde estamos. Temos a plena consciência que temos caminho a desenvolver.

Esse desempenho baixo pode levar ao questionamento da eficiência do tempo integral?
Penso que não. No Brasil temos uma cultura do imediatismo, seria um retrocesso questionar, precisamos avançar. A questão não é apenas a temporalidade do aluno no espaço da escola, mas a visão de integralidade da formação que exige um tempo maior para poder trabalhar as múltiplas capacidades do ser humano. Agora não podemos transformar o espaço de educação integral num massacre pedagógico, aí você vai vacinar a criança contra tudo que diz respeito à educação.

Quanto é investido no ensino integral?
O município, por lei, tem que destinar 25% do que arrecada para a educação, em Apucarana fez-se um aporte de mais 7%, perfazendo 32%. É um investimento que se percebe o resultado. Por exemplo, o fato da criança receber três refeições diárias, que é o ideal preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), diminui significativamente o índice de crianças com problemas de saúde. Outro aspecto é não ter criança na rua mendigando. E depois o próprio objetivo da educação que é formar o cidadão na dimensão da integralidade.

Quais os dados que comprovam esses benefícios?
Por exemplo, o índice de evasão escolar, a média nacional é de 6,8, a do estado é de 5,4 e a de Apucarana é de 0,5; repetência, a média nacional é de 19,2, do Paraná 14,8, em Apucarana é de 9,2. Os índices de evasão mostram que crianças que, provavelmente, estavam fora da escola agora estão na lá.

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