ENSINO INOVADOR - Formação de aluno pensador ainda é tabu
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Preparar cidadãos para viver em um mundo desconhecido, com capacidade de entendê-lo, inserir-se nele e transformá-lo. Para o professor e especialista em avaliação Vasco Moretto, mestre em didática pela Universidade Laval, no Canadá, estas são as principais funções da escola de hoje. Para atingir essa meta, aponta, os professores devem estimular uma característica primordial em seus alunos: a competência.
Segundo ele, as instituições de ensino precisam romper com as características do ensino tradicional, evitando assim que os alunos transformem-se em meros repetidores de exercícios. ''Ser competente é ter a capacidade de abordar e resolver situações complexas'', ensina Moretto, que vai estar em Londrina para ministrar na sexta-feira a palestra ''Planejamento da educação para o desenvolvimento de competências'', no 14º Encontro Pedagógico Nacional do Sistema Maxi de Ensino.
Como o senhor define o conceito de competência?
No sentido do senso comum, o sujeito é competente quando faz bem aquilo que deve fazer. Do ponto de vista do paradigma do desenvolvimento de competências, competência é ''a capacidade do sujeito mobilizar recursos para abordar e resolver situações complexas''. Ler e compreender um texto, por exemplo, é uma situação complexa para um aluno. O sujeito competente para resolver a situação da leitura é aquele que desenvolveu recursos para compreender, analisar, sintetizar e avaliar o que o texto contém como mensagem.
Qual a importância da atuação do professor no desenvolvimento das competências dos estudantes?
A cada dia fica mais clara a função da escola: preparar cidadãos para viver em um mundo desconhecido, com capacidade de entendê-lo, inserir-se nele e transformá-lo. Os avanços tecnológicos nos surpreendem a cada dia. Valores culturais mudam com uma rapidez impressionante.
De que forma é possível desenvolver a competência? Quais as práticas indicadas para o ambiente escolar?
É preciso romper com as principais características do ensino tradicional, para que os alunos não sejam apenas repetidores de exercícios. Para tanto, não é necessário deixar de dar os conteúdos tradicionalmente oferecidos, mas é preciso fazer com que os alunos se apropriem deles de maneira significativa. Listas de exercícios são instrumentos importantes. O erro está em fazer deles apenas meras ferramentas de repetição e não utilizá-los como reflexão do que foi aprendido.
Atualmente, os profissionais da educação estão preocupados em desenvolver a competência dos alunos ou o foco maior está na aprovação?
Há um bom movimento no sentido de propor uma nova educação no contexto escolar. No entanto, há uma grande falha na formação dos professores. Os profissionais ainda são preparados para ensinar o aluno a fazer provas, obter boas notas e conseguir diplomas. A preocupação com a formação do aluno pensador, do profissional competente ainda é encarada como tabu.
Qual o perfil de um professor competente?
O professor competente é o que prepara bem suas aulas e consegue ministrá-las com eficácia. Além disso, sabe avaliar corretamente o desenvolvimento de seus alunos. Um professor competente também busca atualização constante e novos recursos para melhorar sua atividade pedagógica. É criativo na elaboração de atividades que oportunizem uma aprendizagem significativa e contextualizada. E aplica instrumentos diferentes para avaliar a oralidade, a escrita, o raciocínio lógico-matemático etc.


