O conhecimento é a fabricação do ideal sobre a Terra.
‘‘A escola, tanto de rico quanto de pobre, não está ensinando seus alunos a ler um texto escrito e a tirar dele as conclusões e reflexões logicamente permitidas.’’ Poder-se-ia acrescentar à afirmação de Cláudio de Moura Castro que o falante que não sabe ler não saberá escrever e, muito menos, a pensar.
O pensamento é expresso por palavras, que são registradas na escrita, que por sua vez é interpretada pela leitura.
‘‘Ler, portanto, é fundamental para escrever’’ - ensinou Otto Lara Resende.
Daí, a afirmação de Cláudio de Moura Castro ser cientificamente válida.
O homem é uma unidade psicossomática com linguagem. A linguagem é a veste do pensamento, é a verbalização da mensagem.
A interação, cultura, pensamento, vida emotiva, encapada pela linguagem, dá a dimensão do ser humano.
Em que se fundamenta a falência do ensino, entre outras situações:
1. O aspecto pedagógico é anticientífico. A matéria é departamentalizada, como no caso da Língua Portuguesa: só Gramática; só Redação; só Literatura; só Textos. Não há integralização. A ciência deve estudar, primeiro, o fenômeno unitário.
2. Sob o aspecto de pensar, refletir, criar, produzir texto, estruturar o período, discutir mensagens, o ensino está falido. Não há diálogo. O professor fala para e não com - Paulo Freire; o professor cobra o que não vendeu; matéria ‘‘apostilada’’; material gabaritado e importado de São Paulo, salas de aula com 150, ou mais alunos; o laboratório do saber, a biblioteca, sem o mínimo de informatização e livros superados.
3. O objetivo do ensino hoje é informar mal o aluno e não o formar. Dá trabalho à Direção atividades extraclasses.
4. Castraram os Diretórios Estudantis. A escola não é mais a integração de Professores - Pais - Alunos. Diretório Estudantil é sombra para a Direção: dá trabalho. Implantaram assim as Coordenadorias, no Colégio, comumente para defender a Direção.
5. O aluno, em sala de aula, ouve o professor, quando ouve, com giz, quadro e apagador, em um tablado, a falar só para o aluno, assembléia. Desaparece o mundo das imagens - Luís Carlos Friedman. Para quê e por quê? A informática, para a Direção, parece invenção de pesquisadores. Ensino teórico e fora da realidade científica, técnica e prática.
O objetivo precípuo latino - ‘‘Discimus sed vitae, non scholae’’ (Aprendemos para a vida e não para a escola) desaparece.
6. Os meios modernos de comunicação, mal utilizados, tiram a motivação de o aluno pensar, ler, escrever, conhecer, aculturar-se. Cria-se o autômato, o robotizado, o alienado.
7. Aspecto antipsicológico, antidático, antipedagógico e anticonhecimento: três ou mais provas, avaliações, num só período. É a anti-assimilação e a anti-aprendizagem. E, o pior, testes objetivos, em alternativas a, b, c, d, e. E o pensar?
A sociedade brasileira, em geral, e a londrinense, em especial, pelo que se observa, é carente na formação da personalidade psíquica-cultural do adolescente.
‘‘Na aprendizagem científica o homem moderno toma a realidade, submete-a a projetos de medidas e cálculos, dá-lhe outra existência’’, Introdução ao Pensar - Archângelo R. Buzzi.
Daí, onde o comércio ou a política entram pela porta; a cultura, o conhecimento e a aprendizagem saem pela janela. Experiências de um professor de Ensino Médio e Superior que considera a situação lastimável; mas não aceitará polêmica.
DONATO PARISOTTO é professor em Londrina

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