Ensinar cultivo da terra e a não desperdiçar
É iniciativa louvável a de professoras de Londrina ao extrapolar o conteúdo dos currículos oficiais e adicionar ensinamentos como o das hortas escolares, assunto já focalizado neste jornal. Porque dão às crianças que habitam a zona urbana e os apartamentos a noção de como se produz legumes e verduras que são postos à mesa, e quanto isso custa em cuidados e dedicação. Um dos ganhos é também o contato com a natureza, porque muitos alunos nunca plantaram nada e nunca avaliaram a importância da terra na produção dos alimentos.
Paralelamente os instrutores vão ensinando o valor nutritivo das hortaliças e a necessidade de consumi-las, para ganhos de qualidade em saúde. O que aparenta ser uma coisa tão simples, é de relevância quando a atenção das crianças, hoje, está mais voltada para as atrações da tecnologia, que as retém por horas e horas diante dos jogos do computador. É um salto de qualidade sair do virtual e ver a realidade de uma semente germinando. Quando elas plantam, cuidam e colhem, aparece a curiosidade de saberem o gosto daquilo - avalia uma das mestras. Porque o fato de estarem plantando, de assistirem ao milagre da germinação, ajuda-as na aceitação da comida - e sabe-se quanto os pequenos são 'enjoados' na hora de comer, sobretudo com os legumes e verduras.
Um valioso detalhe é que nessas hortas não entram agrotóxicos ou adubos químicos, e assim vai se formando nas crianças uma consciência de preservação ambiental e de pureza dos alimentos. Quando se sabe que essa prática de isenção de venenos vai sendo adotada em escala cada vez maior - tratando-se de pequenos cultivos - o ensinamento é de grande valia. Por outro lado, será importante que os mestres focalizem o valor do trabalhador do campo, que é pouco lembrado pelo consumidor, não obstante este não possa sobreviver sem a existência dele. O que se ensina de salutar para os pequenos eles lembrarão para sempre, e é dessa forma que se irá plasmando as futuras gerações, que afinal serão as que irão tocar o Brasil.
Ao ensinar às crianças o cultivo da terra e dar-lhe a preciosa oportunidade de assistirem à resposta generosa que ela dá, seria importante adicionar mais uns passos e ir passando a esses escolares a consciência de conter o desperdício, não apenas com os alimentos - que faltam para tantos - mas com todas as coisas. Na cultura em escala joga-se muito alimento fora, pelo mau cuidado nos manejos, e especialmente nos restaurantes e no consumismo das famílias - e não só as mais abastadas mas também as de classes sociais mais baixas. Exemplos como este das hortas escolares mostram que a escola vai se conscientizando de que sua função não é apenas alfabetizar mas também formar cidadãos conscientes.





