Ensinar às crianças o valor do dinheiro e prepará-las para administrar algo com o que terão que se ver no futuro de forma mais intensa. Conforme reportagem publicada neste Jornal, especialistas na área da administração financeira estão recomendando que esses ensinamentos devem começar já aos 3 anos de idade. No que diz respeito diretamente ao uso do dinheiro, alguns mandamentos são de que não devem comprar por impulso - e isso, obviamente, vale também para os adultos - porque o que se gastar aleatoriamente pode faltar para uma compra mais importante.
Pesquisar preços e qualidade é outra recomendação, assim como recomendar a leitura sobre o uso, condições e procedência do produto, porque a propaganda enganosa é frequente, embora os estabelecimentos de maior tradição, grandes e pequenos, zelem pela fidelidade. Quando se trata de compra a prazo, é importante ler antecipadamente o contrato e verificar sobretudo custo final, que quase dobra no sistema de prestações. Estas e outras coisas estão sendo ensinadas às crianças, mas o mais importante é adicionar a esses ensinamentos o exercício da cidadania, que compreende também os direitos, e dentre estes o de não aceitar imposições. Como a dos juros abusivos cobrados pelas instituições financeiras, especialmente os bancos, e que se refletem também no comércio pelo crediário.
O que os adultos não conseguem combater, porque costumam aceitar tudo e não reagir severamente e dizer não aos abusos e à exploração, os futuros cidadãos e hoje crianças quem sabe poderão fazer. É isto que as instituições ora preocupadas com a orientação financeira às crianças devem ensinar prioritariamente e não apenas simples práticas de valorizar o dinheiro no momento das compras e dos gastos em geral. A exorbitância dos juros é um assalto à economia popular e tão grave quanto os delitos praticados pela bandidagem comum e contra a qual - e com razão - a opinião pública tanto reage.
Será preciso incutir nas mentes desses futuros cidadãos que esse roubos institucionalizados precisam ser combatidos, o que os adultos hoje fazem muito pouco, porque consentem e não são capazes de reações efetivas, preferindo a lamentação, como é hábito do brasileiro. Planejar compras e bem administrar o dinheiro é um bom ensinamento, por isso a validade dessa cruzada dos especialistas em educação financeira, mas será preciso investir especialmente na formação política da infância e da juventude e assim preparar os cidadãos que amanhã irão tocar o Brasil e possam conviver numa nação mais democrática e mais justa para todos.

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