Uma das maiores preocupações do homem moderno é o risco de perder o emprego. Ainda mais em tempos de crise econômica mundial. Conseguir uma colocação e manter-se empregado é um desafio até para quem possui qualificação. Por isso, para o presidente do Congresso Mundial de Recursos Humanos Luiz Edmundo Prestes Rosa, o trabalhador hoje precisa não apenas investir na educação, mas também ter um perfil empreendedor.

''Quem pensa e age será melhor empreendedor amanhã, tem mais iniciativa'', aponta o diretor-geral do Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (CONARH). E ele acrescenta que a ação dos empreendedores é fundamental para o desenvolvimento do País.

''As empresas não podem ficar esperando o que o governo vai fazer por elas. Podem contribuir com a educação e ajudar o seu entorno. Hoje as que fazem isso acabam sendo as mais admiradas e mais lucrativas'', sentencia Prestes, que está em Londrina para participar do Seminário Paranaense de RH.

O senhor enfatiza que o mercado de trabalho está em constante evolução. Quais são as mudanças recentes mais importantes?
Parte das mudanças são globais, fazem parte da evolução que o mundo está passando. O conhecimento está totalmente disponível para quem quiser, os dez empregos mais requisitados hoje não existiam há 10 anos. Ocorre que o Brasil é a bola da vez. Nós somos parte dos BRICs (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, que juntos podem se tornar a maior economia do planeta), que são 42% da população mundial. Desses quatro países, o Brasil dispõe do melhor posicionamento, sob o ponto de vista de ter uma agricultura e uma área de serviços muito mais modernas, indústria moderna e diversificada.

Essa é a janela de oportunidades a que o senhor se refere?
Sim. Nós somos um país de espírito aberto, as pessoas recebem bem, aceitam inovação, estão dispostas a fazer mudanças. O nosso desafio é, apesar de ter todo esse potencial, sermos o 70º país em desenvolvimento humano e 56º em competitividade. Se o Brasil melhorasse esses dois índices poderia ser tornar muito mais rapidamente uma nação mais justa, mais equilibrada, com menos desigualdades e com um crescimento muito mais rápido.

O que falta?
A educação é o maior desafio do Brasil. A China, por exemplo, quintuplicou nesta década o número de estudantes universitários. E o Brasil não está nessa velocidade toda, estamos perdendo um tempo precioso.

Temos aqui uma outra questão, pois embora o índice de pessoas que têm acesso à universidade seja inferior a outros países, temos mestres e doutores trabalhando fora de sua área e até em vagas onde a qualificação é muito maior do que o necessário.
Você tocou num ponto muito importante. O Brasil precisa de empreendedores. Nossas escolas não estão preparando pessoas para serem empreendedoras, estão preparando para serem empregadas. Precisamos mudar nossa mentalidade, arrumar emprego não é o único caminho para seguir na vida, eu também posso criar minhas oportunidades. Não é o governo que deve criar empregos.

É só mudar a mentalidade?
Tem coisas que o governo pode fazer também. Sem dúvida alguns fatores pelos quais o Brasil perde a competitividade são a burocracia e a alta tributação. Com a educação, são as três coisas piores do Brasil. Mas isso não impediu (o crescimento) de outras pessoas. O empreendedor enfrenta desafios, por isso acho que passa pela educação mesmo. O brasileiro é talentoso, é criativo, a gente tem que abrir o caminho do empreendedorismo.

É possível começar isso desde criança?
Sim. Outro dia eu fiz uma visita na favela Heliópolis, em São Paulo. Meninos de 6 e 7 anos, sentados em grupos, cada um estudando uma matéria para explicar para os outros e debatendo, fazendo perguntas. Pequenos e já assumindo a responsabilidade de cuidar da sua vida. (Hoje) Eu pego uma criança que é criativa, ousada, disputa partidas de videogame e emburreço-a na escola, coloco sentada e exijo disciplina. Isso é tudo que elas não precisam. Quem disse que uma criança de 7 anos não consegue fazer uma pergunta? Em Heliópolis as crianças estão sendo treinadas para pensar, não para escutar. Quem pensa e age será melhor empreendedor amanhã, tem mais iniciativa. No ensino médio as pessoas deveriam ser estimuladas a pensar em opções de vida que não o emprego. Pode ser um profissional liberal, pode abrir uma pequena empresa, são tantas oportunidades. Para que ter tanto doutor por aí?

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