Ensinamentos de trânsito para todos
Educar as crianças para um trânsito mais seguro foi tema focalizado ontem em reportagem deste Jornal, e mostra que estes são caminhos de preparação dessas gerações para o que irão enfrentar. E por ora os filhos pequenos podem ser valiosos agentes para os pais, porque têm uma incrível percepção e capacidade de alertá-los quando cometem irregularidades ao volante. E os pais tendem a ouvi-los e a postar-se mais prudentes quando os filhos menores, no banco de trás, lhes buzinam na cabeça.
Por isso essas aulas de conscientização para crianças resultam também na educação dos pais-motoristas, porque com esses fiscais a bordo eles são policiados de perto. Opiniões ouvidas ontem na seção ''Fala, Cidadão'', da FOLHA, revelam que jovens agora adultos e que tiveram aulinhas de trânsito quando pequenos, esqueceram tudo. Isto pode ser verdadeiro, mas não invalida a continuidade do ensino, porque algo fica, com o acréscimo importante de que as crianças monitoram os pais. Sabe-se que, embora a afirmação do esquecimento dessas pessoas ouvidas, há nos pequenos certos registros que ficam fortemente gravados na mente, podendo acompanhá-los por toda a vida. Infelizmente, também ficam os registros maus, mas se existe a chance de passar-lhes coisas boas, isto deve ser feito. E não só com a educação do trânsito mas com todas as atividades e relações humanas.
E se as crianças precisam aprender, muito mais precisam os adultos já aptos a dirigir. O curso obrigatório para quem perdeu todos os pontos na carteira - e desejam obter nova licença - é utilíssimo e ensina coisas que a maioria desconhece. Este é um bom parâmetro para constatar-se quanto os motoristas não sabem de tantas coisas, e é obrigatório que saibam. E não só eles mas também os agentes dos serviços municipais encarregados do sistema viário, porque não são profissionais com especialização em engenharia de tráfego.
No caso de Londrina, a não-sincronização plena dos semáforos (o que reclama apenas um ajuste), ou o excesso ou a falta deles, leva à descontinuidade do ritmo, o que implica em vagareza ou em excessiva velocidade. Este é apenas um exemplo, porque os itens a corrigir e a implantar são dezenas. Dizer isto às chefias do setor pode causar-lhes irritação - e é o que acontece - mas essa reação ocorre pelo desconhecimento que têm acerca de muitos pontos da complexa mecânica do sistema viário. Cite-se um item específico e de fundamental relevância: os semáforos (caso de Londrina) ignoram a existência do pedestre.
Educar para o trânsito deve, pois, abranger as crianças (futuros motoristas e por enquanto preciosos guias dos pais ao volante), assim como os que já têm habilitação legal (embora às vezes lhes falte o atributo da responsabilidade) e também os agentes públicos encarregados de administrar o sistema. Tem-se falado muito do motorista imprudente e pouco da negligência do poder público com as coisas do trânsito.





