Enfrentar obstáculos à exportação de carne
O Brasil não pode aceitar passivamente os obstáculos impostos pela União Européia à importação de carne bovina brasileira, e tem de agir rápido, como enfatiza o ex-ministro José Eduardo de Andrade Vieira. O Governo e as associações que representam os setores da produção e exportação precisam assumir uma postura mais firme diante da situação, que afeta profundamente a pecuária.
Uma das medidas, ao que sugere, é impor um boicote à comunidade européia, deixando de importar dessa área algum produto importante e de peso na balança comercial.
Um exemplo foi uma posição dessas tomada em sua gestão de ministro, contra os Estados Unidos, que haviam criado dificuldades ao Brasil na exportação de aço e suco de laranja. Foi só anunciar que em contra-partida o Brasil deixaria de importar carvão e papel dos EUA, que houve um recuo, e assim a situação se normalizou.
O impasse agora criado pelos europeus não está apenas vinculado a eventuais problemas sanitários, mas ôprincipalmente a questões políticas e comerciais", no dizer do assessor técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Celso Fernando Dias de Oliveira. Ele afirma que a pressão é do mercado exportador de carne da Irlanda.
Um fato usado como argumento pela União Européia é que aceitaria a carne de apenas 300 fazendas do Brasil, mas foram apresentadas 2.861 como sanitariamente habilitadas. Os desconfiados europeus, então, levantaram dúvida sobre a sanidade e resolveram solicitar nova vistoria da Comissão Européia, que deverá chegar ao Brasil no próximo dia 25. Até lá, e enquanto essa Comissão não venha a expedir seu parecer, o prejuízo será grande. ôNós superamos a expectativa dos europeus e isto soou mal para eles", declara o representante da Federação paranaense.
Com extenso território e um rebanho bovino girando em torno de 200 milhões de cabeças, a afirmação do Brasil de possuir aquelas quase 3 mil propriedades produzindo carne de qualidade pode realmente escapar do entendimento da comunidade européia. O Ministério da Agricultura também reage, afirmando que a medida é arbitrária e que ônão há qualquer falha no sistema brasileiro de controle sanitário bovino".
Certo é que o Governo precisa mobilizar-se energicamente e impor as suas condições, ou esses embargos irão se repetindo ao sopro do interesse dos concorrentes. O Brasil é um grande mercado importador, com um potencial de quase 200 milhões de adquirentes de bens e consumidores (atuais e futuros), e uma bem conduzida política de diplomacia mas também de vigorosa pressão será fundamental para o acerto dos ponteiros.





