A defesa do prefeito cassado Barbosa Neto (PDT) contra as investigações do Ministério Público e da Câmara de Vereadores sempre esteve calcada na tese de ''perseguição política''. Este sempre foi o seu principal argumento, desde o início das investigações à perda do seu mandato. No entanto, caberá aos cidadãos referendar - ou não - a decisão da Câmara de Vereadores: ele deverá voltar a ocupar a cadeira de líder do Executivo?
Em um cenário até então inédito, Barbosa Neto, que tinha ficado em terceiro lugar no pleito municipal em 2008, foi eleito prefeito após a realização de um terceiro turno em 2009. Assumiu o seu mandato apenas em maio, depois de vencer o segundo colocado nas urnas, o hoje secretário estadual de Fazenda, Luiz Carlos Hauly (PSDB). Na ocasião, contou com o apoio do também prefeito cassado Antônio Belinati (PP). Em uma espécie de retrospectiva, os dois aliados naquele momento - também histórico - pareceram selar um passado político semelhante.
Envolvidos em irregularidades, os dois perderam o mandato depois de denúncias consideradas ''pequenas''. Nos dois casos, a análise dos vereadores acabou sendo baseada ''no conjunto da obra'', ou seja, foram consideradas também as várias investigações e todas outras denúncias de irregularidades.
Em mais um caso semelhante, Barbosa anunciou que continua candidato a prefeito de Londrina. Ele teve o registro de sua candidatura deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral às 15h30 de ontem. Se eleito, praticamente a única possibilidade de ele não assumir seria impugnar a sua diplomação, ou seja, impedir a sua posse. Com esse cenário montado, Londrina estaria sujeita, novamente, à realização de um terceiro turno. Belinati mantém a aprovação das urnas, tanto que saiu vencedor da última eleição municipal, mas foi impedido de tomar posse pela Lei da Ficha Limpa. Resta saber se as semelhanças entre os dois se manterão.
Em um panorama político conturbado não há vencedores. O município é o mais afetado porque cria-se um clima de insegurança. O programa de governo é interrompido, paralisam-se obras e projetos, novos gestores são nomeados, o que pode tornar algumas decisões mais lentas. Também é criado um clima de insegurança jurídica, o que sabidamente reflete na atração de investimentos.
Portanto, o momento pede união e reflexão. Todos devem estar unidos para trabalhar e pensar no bem da cidade. Além disso, o período é de eleições e, por isso, é preciso analisar atentamente todos os candidatos, suas alianças, seu passado e suas propostas. O voto consciente é uma necessidade.

mockup