Em princípio estaria acertado o debate entre os candidatos desde que um deles dentre os nanicos (e que são a maioria) desista de participar. Seria na Globo e, a essa altura, o staff de Cassio Taniguchi examina a conveniência da sua participação. Só vai encher a bola dos adversários e nada mais quando desfruta de situação tranquila, nirvânica.
Se ele participar, vão transformá-lo em ‘‘boneco de parque’’, aquele que fica assim com a careta exposta para ser derrubado pelas boladas. Vão tentar fazer como em São Paulo, em que a técnica de bater no Geraldo Alckmin que encostava no segundo lugar deu algum resultado. No debate, porém, o Alckmin foi o melhor de todos, disparadamente. Isso é bom para quem está em segundo; nunca, de forma alguma, para quem está em primeiro.
Só há, portanto, inconvenientes para Taniguchi entrar nessa fria. Todavia se não concordar com o debate será o fujão, repetindo Lerner, e se mostrará um arrogante e, sobretudo, antidemocrático. Vejamos no balanço de perdas e ganhos o que será melhor: passar para a história como um covarde ou, fazendo o gênero bom moço, com o ônus do esperado massacre, desde as perguntas de algibeira até a baixaria das denúncias pesadas?
A distância que Cassio desfruta nas pesquisas é um argumento suficientemente forte para tirá-lo do debate. Raramente os que estão em posição confortável admitem correr um risco inútil até porque a algaravia é de pura encenação e não vai esclarecer coisa alguma. O PMDB quer esquentar a campanha? Troque de Requião, ainda que tarde, para ao menos tentar alguma coisa. Um troca-troca tiraria o partido do risco programado de extinção. A continuar no processo atual, o PMDB regional se candidata a ser uma espécie de fóssil precoce e por isso mesmo uma curiosidade paleontológica.
Até hoje aqui no Paraná não houve um só debate, estadual ou municipal, que se pudesse chamar de interessante. Uma chatice piramidal, a camisa-de-força do regimento interno matando qualquer interesse.
Um cientista político diz que o debate é o anverso da democracia e um corte perverso no andamento da campanha porque iguala os desiguais: o que está na frente, por tendência do povo, fica nivelado ao nanico descompromissado.

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