O acordo de delação premiada assinado pelo doleiro Alberto Youssef com o Ministério Público Federal, em setembro de 2014, e tornado público na última quarta-feira traz à tona a incrível quantidade de bens amealhados pelo londrinense por meio do megaesquema de lavagem de dinheiro. Segundo apurado pela força-tarefa da Operação Lava Jato, o doleiro pode ter movimentado ilegalmente ao menos R$ 10 bilhões. Por meio de empresas de fachada, Youssef estaria à frente da engrenagem que desviou milhões de recursos da Petrobras via contratos fraudulentos. O esquema de propina envolve ainda seis das grandes empreiteiras do País e pelo menos três partidos da base de apoio da presidente Dilma Rousseff – PT, PP, PMDB.
Segundo o acordo homologado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, Alberto Youssef se comprometeu a devolver R$ 1,8 milhão aos cofres da União. Além desse valor, o doleiro terá de entregar hotéis e imóveis registrados em seu nome – alguns em Londrina, no litoral da Bahia e em Aparecida (SP) -, e ainda carros de luxo. Ele também deverá devolver aos cofres públicos todo dinheiro que estiver em contas pessoais e de suas empresas.
E conforme a FOLHA havia revelado em reportagem no último sábado, em troca por sua colaboração o doleiro ficará no máximo entre três e cinco anos preso em regime fechado, independentemente das penas que lhe serão aplicadas pela Justiça nas várias ações abertas contra ele. O documento assinado com o MPF garante ainda ao doleiro direito a cela especial e progressão para o regime aberto, após os prazos e determinações legais. Para que a delação tenha validade, as provas apresentadas por Youssef devem ser verdadeiras sob pena de o acordo ser rompido e o doleiro responder integralmente pelos diversos crimes que lhe são imputados.
A sociedade brasileira espera que grande parte do dinheiro desviado da Petrobras retorne aos cofres públicos e seja aplicada em obras por todo o País. Espera ainda que empreiteiros e políticos – estes últimos por terem foro privilegiado serão julgados pelo STF – também sejam cobrados a devolver os recursos obtidos com a corrupção. Afinal, após mais um ajuste fiscal e aumento de impostos, o brasileiro não suporta mais ver os recursos públicos parar nas mãos de corruptos.

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