Durante a evolução da sociedade para a busca de seu bem estar, tornou-se imperativo o uso da energia. Nos tempos modernos, as fontes de energia são recursos imprescindíveis para que exista uma ‘‘economia’’, pois delas dependemos para que, minimamente se faça a luz, e se movam tantos outros aparelhos e máquinas, nos quais está baseada a sociedade moderna e, felizmente, dentro da qual nós brasileiros nos encontramos, ainda, espero!
No Brasil de antigamente, e não tão antigamente assim, as fontes de energia mais comuns eram a lenha, os animais e quem sabe até óleo de baleia para os candeeiros.
Como em tantos outros países, ditos emergentes, ocorreram evoluções e, entre elas, a substituição das fontes da era pré-industrial pelo uso de fontes não renováveis como as fósseis, petróleo e mais recentemente gás natural, importado da Bolívia, ao lado do nacional.
Porque Deus é brasileiro, tivemos a graça de poder contar ainda com caudalosos rios e seus desníveis, que nos abençoaram com as hidrelétricas, fonte renovável, não poluente, água, cuja disponibilidade para o uso só depende tecnologicamente de duas torneiras: da de São Pedro e da dos homens que controlam os reservatórios.
Para que possamos imitar a Deus, cujas disponibilidades de recursos são infinitas, e que possamos fazer a luz, é necessário, portanto, não só gastar energia, mas, contrariamente a Deus, temos de, principalmente, saber gerenciar o uso desta energia, como de qualquer recurso. Tenho preconizado em meus cursos e palestras que gerenciar é saber-se alocar recursos.
Gerenciar é saber no mínimo portanto, e em quaisquer situações: prever a necessidade de recursos, antecipando-se às necessidades; utilizar os recursos disponíveis da melhor maneira para evitar-se o esgotamento ou a falta dos recursos necessários à execução das tarefas imprescindíveis; preparar o futuro para a implantação de melhorias. Em resumo, por mais recursos que se tenha, não se pode negligenciar nunca o gerenciamento, sob pena de fracasso.
Esta é a base do raciocínio de um profissional da área de energética, área na qual me doutorei. Onde fica, então, a luz no fim do túnel? A melhor resposta que eu obtive, após mais de 30 anos trabalhando, pensando e estudando foi a gestão dos processos.
Na gestão dos processos, no pensamento sistêmico e no pragmatismo dos filósofos americanos, encontrei a base necessária para aplicar estes princípios em todas as atividades das empresas, e para a formatação e criação há seis anos de um curso de especialização, modelo para todas as atividades empresariais.
Aplicando-se então o princípio de gerenciamento descrito acima à energia, deve-se urgentemente: 1. Prever a necessidade de integrarmos os usos de energias alternativas; 2. Utilizar os recursos hídricos disponíveis para a satisfação de necessidades seletivas e que mais agreguem valor à população; 3. Preparar um futuro em que os usos da energia sejam vinculados à sua disponibilidade, assim como se faz na Lei de Responsabilidade Fiscal com os recursos monetários.
Estes princípios poderiam e, talvez, deveriam, ser estendidos a todos os recursos escassos como água e ar. Só assim com um mínimo de planejamento estratégico e, principalmente, gerenciamento poder-se-á eliminar aquilo que hoje nos tem sido um dos mais caros recursos: o risco Brasil.
Em casos específicos e particulares, provocados por causas especiais como dizemos no gerenciamento pela qualidade total, podemos utilizar métodos de análise e solução de problemas que são técnicas excelentes e que deveriam ser utilizadas frequente e constantemente para correção de imprevistos. É dentro desta nova lógica de organização que os profissionais que trabalham com a energia em particular deveriam desenvolver suas atividades.
Para cada uso final, a solução do bom profissional deve se iniciar por uma dedicada e acurada definição do conjunto de possibilidades e alternativas, um acurado levantamento de custos e financiamentos disponíveis, para finalmente uma tomada de decisão que, mesmo podendo ser intuitiva, possa também ser baseada tanto quanto possa ser, nos princípios de gerenciamento que descrevi brevemente no corpo deste artigo.
- JOSÉ ANTONIO DERMENGI RIOS é doutor em Energética e professor universitário em São Paulo
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