No próximo dia 9 de setembro, a Folha de Londrina promove a 25ª edição do Encontros Folha, que desta vez terá como foco o meio ambiente. Em um contexto de emergência climática, não há como falar em futuro sustentável sem tratar da transição energética. O tema, antes visto como um desafio técnico, consolidou-se também como compromisso econômico e social.

O Brasil parte de uma posição privilegiada: mais da metade da sua matriz energética já é renovável, um índice muito superior ao da média mundial. Mas os números, ainda que positivos, não escondem a dimensão da tarefa. O setor industrial, segundo maior consumidor de energia, precisa acelerar a substituição dos combustíveis fósseis por alternativas limpas. E conforme a reportagem publicada pela FOLHA neste fim de semana, o biometano desponta como protagonista.

Chamado de “combustível do futuro”, o biometano nasce do aproveitamento de resíduos orgânicos, dejetos animais, restos de produção agrícola, rejeitos industriais, que, tratados e purificados, se transformam em energia limpa e competitiva. Especialistas apontam que o aproveitamento dos dejetos representa uma oportunidade econômica. Empresas que investem nessa rota já colhem ganhos em produtividade, qualidade e novos mercados.

Os avanços, no entanto, ainda esbarram em gargalos estruturais. O transporte, maior emissor da matriz energética brasileira, depende fortemente do diesel, o que exige soluções urgentes. Nesse ponto, o biometano pode ser um vetor decisivo, especialmente em um estado como o Paraná, onde o agronegócio gera grande volume de resíduos passíveis de conversão em energia.

A transição energética deve se tornar prioridade na agenda de planejamento. Sem regulamentação clara, segurança jurídica e incentivo à inovação, o biometano corre o risco de permanecer restrito a iniciativas isoladas. O país já dispõe de marcos importantes, como a Lei do Combustível do Futuro, mas precisa transformar metas em realidade.

A pauta ambiental que estará em debate no Encontros Folha reflete esta preocupação urgente: avançar ou ficar para trás. O Norte do Paraná, com sua força agroindustrial e seu potencial de inovação, tem todas as condições de assumir protagonismo nessa agenda. O futuro da região, e do país, dependerá da capacidade de transformar resíduos em energia, passivos em ativos, e urgência em oportunidade.

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