Energia elétrica mais cara até 2005
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nos dá a notícia de que o aumento extraordinário da energia elétrica deverá perdurar até 2005, com duração total, portanto, de 48 meses, já que começou a ser cobrado em dezembro de 2001. Isto é de exasperar. Divulgou-se a respeito, que o aumento seria dado como forma de as empresas distribuidoras se ressarcirem dos prejuízos causados com o racionamento. A idéia tem sua lógica, embora sejamos obrigados a reconhecer que o cidadão, cumprindo seus deveres, ou seja, buscando reduzir ao máximo o consumo de eletricidade, para, quando nada, ajudar o País a sair da crise, acabou sendo penalizado com esse acréscimo nos custos da energia.
Mas os dados oficiais pecam pelo absurdo, pela impertinência. Esse racionamento não durou sequer um ano, estendendo-se de junho de 2001 a fevereiro de 2002, num total de oito meses. Mas, meio ano decorrido de menores gastos com energia, por parte do consumidor, o aumento às distribuidoras foi concedido a partir de dezembro do ano passado. E, porque alegam prejuízos com o racionamento, período em que, de fato, o consumo foi obrigatoriamente menor e que durou menos de ano, as mesmas distribuidoras vão receber, ou melhor, vão distribuir uma energia mais cara por exatos 48 meses. Que matemática é essa? Que cálculos foram utilizados na tentativa de nos convencer que, para cobrir os prejuízos ocorridos em seis meses as distribuidoras cobrarão mais caro pela eletricidade durante quatro anos?
Na sua ânsia de conseguir a qualquer custo os superávits primários exigidos pelo FMI, o governo, desde 1995, vem cortando os subsídios concedidos aos custos dos serviços públicos de luz, água e gás de cozinha, antes e depois de muitas das empresas dessas áreas terem sido privatizadas.
E os aumentos daí decorrentes são brutais. De 1995 a 2001, as tarifas de água tiveram aumento de 116%, as de luz, 127% e as de gás, 450%. São custos enfrentados pelo cidadão, diante de sua inegável precisão de consumo.
Mas, no mesmo período, quem teve aumento salarial nesses montantes? Ninguém, absolutamente ninguém. O governo faz tábua rasa disso tudo, notadamente dessas necessidades de cunho social, cumpre suas obrigações com a banca internacional e faz nosso povo ainda mais pobre. E esse pessoal ainda pensa em se manter no poder! Mas isso somente se for para administrar imensos cemitérios, uma terra devastada e infeliz.
RUBENS BUENO é deputado federal e presidente do PPS/PR





