Energia elétrica mais barata
Ao anunciar a redução do preço da tarifa de energia elétrica, o governo atacou um dos pontos mais nevrálgicos enfrentados pelo País: o custo Brasil - formado, entre outros itens, por alta carga tributária e infraestrutura deficitária. A desoneração é urgente, não só para o setor elétrico. Além disso, a intenção de mudar as regras de concessão, a fim de garantir uma maior qualidade e eficiência dos serviços prestados, é bastante positiva. Fator que deveria constar na pauta há muito tempo.
De acordo com o anúncio do governo, a nova tarifa entra em vigência a partir do próximo ano. Para grandes empresas consumidoras, a redução pode variar de 19,7% a 28%; para o consumidor final, a queda é de 16,2%. Estudo feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro aponta que a tarifa média de energia paga pela indústria deve cair de R$ 329 para R$ 264.
No entanto, mesmo com a desoneração - obtida a partir de cortes de encargos setoriais - a energia elétrica brasileira continua sendo uma das mais caras do mundo. Na comparação com os Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul), a tarifa nacional ainda é, em média, 143% mais cara. Custo injustificável, se for considerada que 75% da matriz energética brasileira é hídrica. Na maioria dos outros países concorrentes do Brasil em produção industrial, a energia é gerada a partir da queima de derivados de petróleo, gás, carvão ou por meio de usinas nucleares, insumos de alto valor.
Além de reduzir os custos de produção industrial, a medida tem como objetivo reduzir o índice inflacionário e as taxas de juros. Estimativas indicam que o impacto será de 0,56 ponto percentual no Índice de Preços ao Consumidor Amplo. No entanto, importante acrescentar que reduzir somente a tarifa de energia elétrica pode não ter muito efeito, uma vez que o preço da gasolina, do álcool e do gás de cozinha tiveram reajuste o que também traz impacto no custo de outros produtos. Importante seria promover, de uma única vez, a desoneração geral. No entanto, a iniciativa anunciada nesta semana pode indicar uma sinalização de que as reformas necessárias podem estar por vir.





