Chegou tarde o Programa de Investimento em Energia Elétrica, que prevê obras para ampliar a geração e a transmissão de energia elétrica, anunciado ontem pela presidente Dilma Rousseff (PT). O atraso ocorre por dois motivos: primeiro porque os projetos já haviam sido anunciados pela presidente e segundo porque são investimentos que deveriam ter sido feitos décadas atrás. Foi a falta de usinas hidrelétricas que levou à implantação da bandeira tarifária, que aumenta – ainda mais – a conta de energia elétrica.
No anúncio do programa o governo prometeu lançar até 2018 leilões de usinas de energia que seriam capazes de gerar entre 25 mil e 31 mil MW, além de 38 mil quilômetros de linhas de transmissão. A previsão é que esses investimentos cheguem a R$ 186 bilhões, sendo que R$ 106 bilhões seriam gastos somente após 2018. Segundo a presidente o programa afasta o risco de um racionamento.
A implantação de um racionamento de energia elétrica seria uma situação caótica para o País, principalmente para as indústrias. No entanto, a presidente não pode considerar a implantação da bandeira vermelha como um fator positivo pelo uso das termelétricas. Em seu discurso, ela disse que "é melhor pagar um pouco a mais e não faltar energia do que faltar". É uma afirmação correta, mas esconde o real motivo do pagamento: a falta de investimentos e planejamento. Além disso, empurrar a causa do problema para a falta de chuva também não é correto.
A bandeira tarifária, aliada aos sucessivos reajustes da tarifa, tem sobrecarregado sobremaneira os consumidores, tem impactado diretamente na renda das famílias. Por isso, é importante que a população acompanhe a execução desses projetos e cobre mais efetividade. O País não pode continuar paralisado, com uma crise política, produção industrial estagnada, queda nas vendas do comércio e crise de confiança do consumidor. Investimentos e obras de infraestrutura não podem ser deixados de lado.

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