Empresa privada sempre funciona melhor que empresa pública, porque o Estado é mau patrão, mau administrador e admirável desperdiçador. No caso da Companhia Paranaense de Energia (Copel), incrivelmente ela é uma empresa pública que funciona bem. O bom atendimento ao público em seus balcões é surpreendente. Por falta de hábito até achamos que não é com a gente que estão sendo tão gentis e rápidos nas decisões.
Privatizar ou não a Copel, eis a questão. Porém a menos relevante. Em mãos públicas ou privadas, a empresa tem é que fornecer energia barata, não visar tanto lucro (a Copel é altamente lucrativa, e esta não deve ser a meta fundamental de um serviço público), e não se empolgar tanto com idéias expansionistas, porque isto significa mais usinas e mais inundações de áreas produtivas da agricultura.
No ano passado, a Copel comprou 45% das ações da Sercomtel, de Londrina, outra empresa pública muito lucrativa, de telefonia. Tudo certo do ponto de vista empresarial, este é o universo dos meganegócios, mas não é expandir-se desta forma a função da Copel.
Bom que tenhamos, no Paraná, uma empresa do porte da nossa companhia de eletricidade; bom que haja tanta polêmica em torno de sua possível privatização. Mas o industrial sabe o peso da energia elétrica no componente de custos de sua empresa, sobretudo a que opera equipamentos pesados. Quem paga a conta caseira de luz e ganha salário mínimo, ou está desempregado, sabe o que representa esse custo. Um real a mais na tarifa é um litro de leite a menos na boca do filho. O usuário de baixa renda tem um benefício, basta comprovar e solicitar, mas ainda assim não soa nada simpático a empresa anunciar grande lucratividade. Porque alguém está financiando esse lucro. Exalta a competência gerencial, mas sabe a Copel, sabe o governador e sabemos nós que serviço público tem acima de tudo função social, não função de lucro. Embora também não sejamos ingênuos de achar que empresa pública tem que dar prejuízo ou empatar, que aí ela não subsistirá e o mal será idêntico. Equilíbrio!
Então, privatizar ou não, não é o mais importante. Se está bem como está, que fique como está. Não é necessário privatizar se a empresa já é lucrativa. Mas também se sabe que empresa privada é sempre mais competente. Cada caso um caso.
O que importa é manter eficiência, custo de energia barato, muito critério no momento de cortar a luz de alguém, sobretudo de famílias carentes, porque se o Estado não deve ser patriarcal também não pode ser perverso. Antes de cortar, melhor é acender a luz da benevolência... Seria uma coerência com o gentil atendimento do pessoal da Copel, algo que certamente emana da administração.
Algo que preocupa são os ideais expansionistas da Copel, como este de implantar sete usinas hidrelétricas ao longo da bacia hidrográfica do Rio Tibagi. Porque irão inundar (em boa parte) áreas altamente produtivas, que são as terras vermelhas do Norte do Paraná, as segundas mais férteis do mundo depois das terras negras da Ucrânia.
Ademais, sabemos que o Paraná nem precisa produzir mais energia elétrica para as suas necessidades atuais, pois consome apenas 30% do que suas usinas já produzem. E a vocação do Paraná é produzir alimentos e não quilowatts.
Já escrevemos que há regiões mais adequadas, neste Brasil imenso, para implantar hidrelétricas, onde a formação de represas não cubra terras produtivas. Energia se puxa através de linhas, e por mais longa que seja a distância ainda sairá barato diante do prejuízo representado pela interrupção da produção agrícola. Interrupção que será eterna, não apenas de uma safra.
Também já escrevemos que deveria ser aprovado um mapeamento dos lugares permitidos para inundações, porque esta é uma questão de segurança nacional. Assim como os locais para as usinas termoelétricas e termonucleares.
Veja-se o que fizeram, implantando uma usina nuclear em Angra dos Reis, um paraíso ecológico, porém o mais grave é que próxima de um dos maiores centros urbanos do Brasil, portanto diretamente exposto à radiação em caso de um vazamento.
Veja-se o que fizeram com Sete Quedas!
Inundar terras férteis do Norte do Paraná será mais uma atitude insensata!
Estes os temas mais importantes a discutir, antes de privatizar ou não!
- WALMOR MACARINI é jornalista no Londrina

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