Enem e ProUni ainda geram desconfiança
Sinal de alerta para os estudantes que pretendem se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2011. As confusões criadas nos dois últimos anos parecem não ter servido para aprimorar o modo de trabalho dos responsáveis pela organização do certame.
Prova disso é que, na primeira semana de inscrição, o Ministério Público Federal no Ceará ajuizou a primeira ação civil pública. Faltou no edital a garantia de que o candidato possa reclamar das notas, sendo retirado dos estudantes o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Um erro primário que afeta milhares de estudantes que veem no Enem uma forma de conquistar a tão sonhada entrada na universidade - com a nota do concurso o participante pode se inscrever no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), cujo objetivo é selecionar os melhores classificados para vagas em instituições públicas de todo o País.
O mais absurdo é o histórico de inconformidades registradas no Enem. Em 2009, às vésperas de sua aplicação, as provas foram canceladas depois de terem sido roubadas da gráfica responsável pela impressão dos cadernos. Em 2010, informações sigilosas de milhões de inscritos foram parar na internet e erros de impressão prejudicaram o desempenho dos estudantes. Houve uma segunda chamada, mas apenas metade dos convocados foi efetivamente refazer os testes. Uma demonstração da falta de confiança em um instrumento de avaliação determinante para o futuro dos inscritos.
Outra irregularidade preocupante são as fraudes na concessão de bolsas do Programa Universidade Para Todos (ProUni). Várias instituições em todo o País matricularam estudantes que não atendiam aos critérios do programa, que é destinado a pessoas de baixa renda. Menos mal que o governo agiu rápido e descredenciou 19 faculdades que cometiam esse grave erro.
As falhas recorrentes na aplicação do Enem e na efetivação do ProUni são inexplicáveis e demonstram, no mínimo, descaso por parte do Ministério da Educação (MEC) tanto com os participantes quanto com o contribuinte que paga a conta. É hora de tratar o assunto com mais seriedade.





