Endividamento tem previsão de queda
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sábado, 05 de outubro de 2002
Agência Estado 
O endividamento externo do País, sobretudo das empresas, está em queda livre. Segundo estimativas do BBV Banco, a dívida externa privada deve fechar o ano em US$ 78,5 bilhões, queda de 12,3% em comparação com o ano passado. Em relação a 1999, o ano da desvalorização do real, o endividamento em dólares das empresas brasileiras encolheu 23%.
As previsões para a dívida total (pública mais privada) também são animadoras. Descontados os empréstimos do FMI (Fundo Monetário Internacional), a dívida total deve fechar o ano em US$ 190,8 bilhões, uma queda de 12% em relação a 1999. ''A boa notícia é que o encolhimento da dívida diminui a necessidade total de financiamento, e com isso temos uma redução na vulnerabilidade externa'', diz o economista-chefe do banco, Octavio de Barros.
Ainda segundo estimativas do banco, o sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso deve herdar uma necessidade de financiamento externo bem menor era de US$ 80,5 bilhões em dezembro de 1999 e deve ficar em US$ 40 bilhões este ano.
O encolhimento da dívida foi a consequência positiva da situação extrema de corte de crédito para o País. A dívida externa já tinha começado a cair quando o regime cambial passou a ser flutuante, em 1999. Trata-se de uma tendência natural, segundo economistas, já que as incertezas do câmbio flutuante desestimulam as empresas e o governo a se endividarem em moeda estrangeira. Mas o processo se tornou mais agudo a partir do segundo semestre deste ano, com a aversão ao risco Brasil.
As empresas se viram ''forçadas'' a pagar suas dívidas. Com o risco País nas alturas, os títulos de dívida das empresas, que acompanham a grosso modo a desvalorização dos títulos da dívida soberana do Brasil, ficam mais baratos. Com isso, muitas companhias resolveram recomprá-los no mercado, antes do vencimento.
Outro fator que levou à diminuição do endividamento é o corte de linhas de crédito para empresas e bancos brasileiros. Com as torneiras de liquidez fechadas, muitas empresas não conseguiram rolar suas dívidas e foram obrigadas a quitar seus compromissos externos. Algumas optaram por não renovar seus empréstimos, já que as taxas cobradas são muito altas, por causa do risco embutido. A taxa de rolagem em agosto estava em cerca de 40% para o setor privado e 76,5% para a dívida total.
Por fim, muitas empresas converteram empréstimos intercompanhias em investimentos, temendo uma centralização de câmbio ou mesmo como solução de emergência para injetar liquidez em suas subsidiárias. ''A partir de junho o movimento de antecipação de pagamentos se intensificou e caiu a taxa de rolagem'', explica Fernando Honorato Barbosa, economista.
Segundo dados do Banco Central, a dívida externa privada era de US$ 84,3 bilhões em junho. Mas a previsão é que essa dívida caia US$ 5,8 bilhões até dezembro. Esse movimento vem gerando uma enorme pressão sobre o câmbio, já que todas as empresas estão em busca de dólares para pagar seus compromissos externos. O impacto é sentido também nos balanços, que sofrem com o baque dos pagamentos em dólar.


