Endividamento e 13o salário
Inflação em alta, estagnação da economia e endividamento das famílias têm preocupado os consumidores neste final de ano. Tanto que pesquisa divulgada ontem pela Associação dos Executivos de Finanças (Anefac) aponta que 62% dos trabalhadores pretendem usar o 13º salário para pagamento de dívidas, um aumento de 1,64% em relação a 2012. Cerca de 77% dos consumidores têm dívidas no cartão de crédito e no cheque especial modalidades que cobram as maiores taxas do mercado e afirmaram que pretendem regularizar sua situação.
No entanto, o levantamento não indica necessariamente que o varejo terá um final de ano ruim. Amanhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgará o resultado do comércio e é esperado o aumento das vendas pelo sétimo mês seguido em setembro. Há algum tempo os brasileiros têm demonstrado preocupação com o cenário de crise instalado no país. Quedas na produção industrial, estagnação na geração de emprego e aumento do custo de vida têm preocupado muitas pessoas que, inclusive, já mudaram alguns hábitos de consumo.
Entre as pessoas que irão investir o rendimento extra na compra de presentes, os produtos líderes da preferência são telefones celulares, roupas e eletroeletrônicos. As intenções indicam que mesmo entre quem pretende reduzir suas dívidas, há uma "sobra" para o consumo de final de ano. Aliás, a tradicional troca de presentes no Natal e a preparação de ceias de final de ano fazem parte do hábito dos brasileiros e não serão abolidas. O consumo é importante porque movimenta uma extensa cadeia produtiva,
no entanto, o foco deve estar nas "compras conscientes".
Inadimplência alta não é saudável para consumidores e muito menos para os empresários. Por isso, se faz necessário investimentos em campanhas de educação financeira. Anos de inflação alta e crédito escasso aliado à demanda reprimida por bens de consumo não prepararam os brasileiros para lidar com o dinheiro. Já passou da hora de aprender.





