Os brasileiros estão mais endividados. Estudo divulgado ontem pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo aponta que 62,5% das famílias terminaram o ano passado com dívidas; crescimento de 7,5% com relação a 2012. Na avaliação dos pesquisadores, o indicador não é muito ruim porque outros itens, como o percentual de famílias com contas ou dívidas em atraso e o índice de pessoas que declararam não ter condições de pagar seus débitos, praticamente permaneceram estáveis de um ano para outro.
O endividamento teria aumentado porque há mais crédito disponível no mercado a pessoas físicas. O levantamento aponta para uma melhora no perfil de endividamento uma vez que foi verificado menor comprometimento médio da renda (índice caiu de 30% para 29,4%) e maior alongamento das dívidas (tempo subiu de 6,53 meses para 6,74 meses). Estes índices são positivos porque os prazos mais longos causaram menos impacto na renda mensal dos trabalhadores. O fator negativo que merece destaque é que a maioria das dívidas acumuladas são do cartão de crédito, uma das modalidades de taxa mais altas do mercado.
No entanto, é preciso atenção para este ano. O comprometimento da renda com dívidas tende a aumentar, uma vez que em 2014 a taxa básica de juros deverá continuar em curva ascendente. O mesmo comportamento está previsto para a inflação. Isso significa que as famílias devem gastar mais com as mesmas despesas, como itens de alimentação e aluguel, por exemplo. O problema, mais uma vez, ficará nas mãos do governo, que administra as tarifas controladas. Provocará grande impacto no bolso das famílias, eventuais aumentos de preços da gasolina, óleo diesel, tarifa de transporte público e energia elétrica, por exemplo.
Por isso, é importante que a educação financeira seja inserida no cotidiano dos brasileiros. O crédito farto aliado à demanda reprimida por bens de consumo são ingredientes que podem contribuir para que o endividamento continue crescendo.

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