As famílias curitibanas encerraram o ano passado como as mais endividadas do Brasil. Enquanto a média nacional é de 59%, na capital paranaense o índice é de 88%. Os dados foram divulgados ontem e apurados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). A pesquisa é realizada desde 2010 com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo e considera todas as capitais.
É um índice bastante alto, mas vem caindo. De 2011 para 2012, foi registrada queda de 2 pontos percentuais. Outro fator relevante é que na Região Sul, os curitibanos é que têm o menor valor médio de dívida por família: R$ 2.164 contra R$ 2.505 em Florianópolis. Além disso, 22% das famílias paranaenses têm dívidas em atraso contra 32% das gaúchas. Ontem, o Banco Central também divulgou levantamento do nível de endividamento das famílias com os bancos. Em 12 meses até abril, o índice atingiu patamar recorde de 44,2%. Nos 12 meses até março, o indicador era de 43,9%.
Os dados mostram que após anos de políticas econômicas baseadas no incentivo ao consumo a conta chegou. O crédito farto com financiamentos "a perder de vista", juntamente com anos de demanda reprimida, agora corroem parte da renda das famílias. Esse cenário ainda é favorecido por setores macroeconômicos, como o crescimento do País abaixo do previsto, que consequentemente gera menos renda e por conta da alta da inflação, que diminui o poder de compra dos salários. E esse ponto é preocupante, uma vez que a prévia do IPCA (índice oficial que mede o comportamento dos preços) já aponta para um estouro da meta estipulada pelo governo federal, que é de 6,5% em 12 meses.
Mesmo com uma sucessão de indicadores econômicos negativos, até agora o governo federal não anunciou nenhuma grande medida que atue na modificação de um cenário extremamente negativo. Também não há indicativos de mudanças na condução da atual política. Agora, se as famílias já estão superendividadas será difícil continuar sustentando o crescimento do País baseado no consumo. Obrigatoriamente outras medidas terão que ser adotadas e não podem demorar a ocorrer.

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