Encontro de primeiros
O primeiro negro presidente se encontra com a primeira presidenta. Hoje começa uma visita histórica ao Brasil. Uma tentativa de reaproximação comercial, que foi se perdendo ao longo dos últimos oito anos. Analistas afirmam que a chegada de Barack Obama ao País, antes mesmo de uma viagem de Dilma Rousseff aos Estados Unidos, mais do que prestígio, demonstra o quanto o governo norte-americano está determinado a retomar ligação mais estreita com a segunda maior economia das Américas.
Durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, os EUA perderam a posição de principal parceiro do Brasil. O ex-presidente conduziu sua política exterior focando em nações periféricas, como Líbia, Cuba e Irã, firmando relações nada ortodoxas com estes países, que renderam muitas críticas tanto aqui quanto fora. Também investiu nas relações com países africanos, sob argumento de buscar novos mercados para produtos brasileiros.
Atitude que impactou na balança comercial brasileira - se em 2008 o saldo das relações bilaterais entre países era de US$ 1,7 bilhão, no ano passado houve um deficit de US$ 7,7 bilhões.
Nem mesmo ter sido chamado de ''o cara'', num episódio que permite leituras das mais diversas, dependendo da orientação ideológica de quem observa, foi capaz de fazer a relação entre os dois países esquentarem. Prova disso é que, mesmo sendo ''o cara'', o presidente da maior economia do mundo nunca esteve no Brasil durante o mandato de Lula.
Outros aspectos podem ter influenciado nessa decisão de Obama, como a crise no Oriente Médio (e o consequente temor pelo aumento do preço do petróleo, num momento em que o Brasil se firma como grande produtor, com a exploração do pré-sal) e a mudança de discurso do governo federal sobre políticas de direitos humanos.
Apesar da visita do nono presidente norte-americano ao Brasil ser uma demonstração clara de tentativa de reaproximação entre os países, alcançar esse objetivo exigirá esforços. O governo Dilma deve manter a postura de defender a reciprocidade comercial, numa tentativa de proteger a produção nacional, coisa que os norte-americanos têm muita dificuldade em aceitar.
Ainda assim, os mandatários devem assinar hoje a criação de uma comissão para o comércio entre os dois países, o que já está sendo considerado o primeiro passo para o fechamento de um acordo bilateral entre os dois países, aos moldes dos assinados com o Chile e Peru.





