''O artesanato é uma terapia para mim''. A afirmação é da dona de casa Dalila Moraes de Paulo, 66 anos. Ela afirma que desde que começou a frequentar as aulas tem se sentido muito melhor e deixou de ir até o postinho de saúde. ''Ia sempre no postinho para medir a pressão, mas hoje estou muito bem. Não sinto nada'', diz. Segundo ela, o encontro com as outras donas de casa a faz esquecer dos problema e da solidão. ''Fico muito tempo sozinha porque os filhos cresceram e foram ter a vida deles'', comenta.
Para Amélia Sukikawa, 48 anos, as aulas de artesanato servem para maior integração entre os moradores. Ela afirma que, antes do curso, as integrantes do grupo até se conheciam porque moram no mesmo bairro, mas não eram amigas e cada uma vivia isolada. ''Hoje não. Hoje a gente se encontra na padaria, no supermercado ou na rua e uma pára para cumprimentar a outra e conversar um pouquinho. Isso ajuda a gente não se sentir tão só'', destaca.
Glória Neri Alves, 56 anos, estava com depressão quando foi convidada a participar do curso. Ela teve câncer de mama e, como as demais participantes, também se sentia sozinha e sem uma atividade diferente para sair da rotina dos afazeres domésticos. ''Desde que começei a frequentar o curso me sinto mais animada e também tenho uma ocupação a mais quando termino os serviços de casa'', comemora.
Como não há metas a serem cumpridas, até mesmo as participantes que confessam pouca habilidade manual ou pouco interesse pelo artesanato não perdem um dia do curso. ''O melhor do projeto é a oportunidade de fazer amizades'', comenta Neusa Fumagali, 55 anos. Ela afirma que costuma fazer as atividades apenas nos dias da reunião. ''Não tenho paciência para fazer artesanato em casa, mas aqui é gostoso porque a gente fica conversando e quando vê já está envolvida com as aulas e as duas horas do curso passam que a gente nem percebe'', justifica.
Já Valentina Padovani, 54 anos, gosta tanto de artesanato que, mesmo em casa, depois de fazer o serviço corre para as agulhas e linhas. Crocheteira de primeira linha, como dizem as amigas, Valentina não perde um dia do curso porque tem oportunidade de aprender outros tipos de artesanato. ''Quando iniciei no projeto estava numa fase difícil porque minha mãe estava doente, e o curso me ajuda a esquecer os problemas'', depõe.
A dona de casa Maria Madalena Rodrigues, 39 anos, vê outra importância do projeto. Ela afirma que, além de ser uma oportunidade para sair de casa e conhecer gente diferente, o mais interessante é poder vender os produtos confeccionados. ''Ganho um dinheirinho e aproveito para sair de casa um pouco.''

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