Empresas sólidas e aeroportos mal-equipados
A aviação no Brasil cresce mais que a economia nacional mas os aeroportos estão mal equipados tecnicamente e não têm pessoal suficiente, por isso o atendimento sofrível à segurança do tráfego aéreo. Para dar um salto de qualidade serão necessários mais de R$ 7 bilhões até 2010, destinados a modernizar o sistema técnico-operacional. O Governo alega só dispor de R$ 2,8 bilhões para o período. Por isso, se os atrasos e a suspensão de vôos que ocorrem no momento são motivados (também) pela operação-tartaruga dos controladores de tráfego - que reivindicam melhor ganho - por trás de tudo há um brado de alerta para a escassez de recursos humanos e para a precária condição operacional, pela insuficiência de equipamentos. Para o presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária-Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, o mal maior é a falta de gente, o que segundo ele obriga o controle aéreo a operar ''com grande vulnerabilidade''. Tudo isto chegou ao conhecimento público e ganhou mais volume depois da trágica colisão de duas aeronaves e que resultou na queda do avião da Gol e na morte de 154 pessoas. A propósito, está implícito no episódio o reconhecimento de culpa do sistema, pela tragédia. As empresas aéreas crescem economicamente e estão adquirindo aviões cada vez maiores, para acima de 200 passageiros, mas os aeroportos no Brasil foram construídos com base em aviões de apenas 120. Mais vôos e mais passageiros representam mais problemas e mais receita também para a Infraero (quase R$ 1,5 bilhão no ano corrente), mas ainda assim a receita parece insuficiente para as necessidades. Na contrapartida, existe a visível e irrefutável constatação de que se constrói luxuosas estações aeroviárias, denominadas aeroshoppings, em detrimento da infra-estrutura técnica relacionada com as operações de tráfego - incluídas as pistas de decolagem e pouso. Coisas bem do estilo Brasil. E vêm aí novas exigências técnicas da Organização Internacional de Aviação Civil, porque o sistema de navegação em todo o mundo passará a ser operado via satélite. Atente-se que o mais movimentado aeroporto do Brasil, o de Guarulhos (SP), tem dois ILS - sigla de Instrument Landing System, que é o sistema de pouso por instrumento - e um deles está inoperante por defeito. No Brasil, sete dos aeroportos de maior tráfego não têm ILS e muitas pistas são curtas e com ondulações, pela insuficiente conservação. No Paraná, o aeroporto de São José dos Pinhais, que foi modernizado não faz muito tempo, já está próximo de chegar ao limite operacional. O segundo do Estado, em Londrina, com estação aeroviária nova, não tem ILS e a pista necessita de alongamento. Além de todos esses problemas, há inúmeros incidentes graves demonstrando irresponsabilidade ou imperícia dos pilotos, mas os inquéritos nunca resultam em sanções contra esses profissionais. Há uma leniência das autoridades com relação a isto - uma responsabilidade que pesa sobre os órgãos pertinentes da Aeronáutica e por extensão sobre o presidente da República, que não cobra.





