Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas mostra que os empresários pretendem reduzir investimentos e que o otimismo no setor produtivo caiu três pontos percentuais em seis meses. Ainda que a maioria das pessoas não saiba que parâmetros são usados para aferir a disposição de investir, nem o que significa um recuo de três pontos, dá para ter idéia que o ambiente econômico, em si mesmo, não anda bem. As empresas no Brasil passam o dia com uma taxa Selic de 19,75% no lombo - o juro mais caro do mundo - e, à noite, mergulham no pesadelo dos impostos e uma multiplicidade de compromissos fiscais. Neste cenário, não dá para sonhar com investimentos, a menos que se trate de um banqueiro. Sem catastrofismo, o que se vislumbra é um segundo semestre difícil e uma entrada em 2006 apenas esperançosa. No ano de eleição, os índices estarão apontando uma fase de recuperação. Mas aí o cenário será, providencialmente, mascarado por uma chuva de índices que vão mostrar um novo Brasil, muito mais cor-de-rosa. Afinal, temos um exemplo recente: pouco antes das eleições municipais, ano passado, todos os indicadores apontavam para o bem. O Brasil, menos de três semanas antes do pleito era o paraíso. Alguém duvida, agora, que as benesses dos números vão se repetir? Antes das eleições do próximo ano, vamos viver algo como ''A Suíça é aqui!''. Mas no momento os índices são reais e expressam dificuldade. A estas adversidades econômicas soma-se, agora, a onda de denúncias de corrupção no governo. Naturalmente também o ambiente político não oferece confiança. São CPIs e sindicâncias. Tudo em pouco tempo: começou com Henrique Meirelles, o presidente do Banco Central que está sob investigações, acusado de uma série de crimes. Depois veio o escândalo dos Correios, cujo ponto alto da queda-de-braço entre governo e oposição ocorreu nos últimos dias com o governo tentando abafar mais uma CPI. Quase ao mesmo tempo o Supremo Tribunal Federal (STF) abre inquérito para investigar o ministro da Previdência Romero Jucá, alvo de denúncias. Os casos Meirelles, Correios e Jucá envergonham o País e desfazem mitos de que o governo do PT pune as irregularidades. Na verdade, o governo está mergulhando numa série de denúncias e a dúvida é se terá mobilidade para apurar algo. Mas o cinismo garante que o governo quer apurar tudo com muito rigor. Aliás, cinismo é o que não falta em Brasília. Os jornais devem estampar mais um hoje. É que, ontem, o ex-diretor dos Correios, Maurício Marinho, indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva e fraude, negou que tivesse montado um esquema de arrecadação de propinas. Como todo bom ''elemento'', livrou colegas e assumiu a bronca, e ainda se fez de vítima mesmo depois que as câmeras o flagraram guardando dinheiro.

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