Empresas bloqueiam acesso
O número de empresas que monitora e-mails e controla o acesso a sites de conteúdo não relacionado com o trabalho cresce a cada dia. No Paraná, há vários casos, desde pequenas empresas até grandes companhias.
A Inepar, por exemplo, bloqueia sites de conteúdo impróprio e e-mails contendo filmes, músicas ou qualquer arquivo executável que ofereça informação imprópria ou risco de proliferação de vírus. A empresa tem mais de mil computadores em seis cidades brasileiras e cerca de 2 mil usuários. O controle é feito há cinco anos, segundo o analista de suporte, Jayson Fábio Demeterko. Ele diz que os funcionários são avisados de que o uso do e-mail deve ser direcionado para a empresa, mas mesmo assim ainda perdem muito tempo com o uso pessoal. ''Pelo menos temos evitado ataques de vírus e acesso a conteúdos impróprios, como os sites pornográficos'', explica.
Adriano Lunardon, um dos sócios da Global Brasil S/A, que trabalha com consultoria e reestruturação financeira, conta que o controle também foi necessário em sua empresa. Com 69 funcionários, em Curitiba, São Paulo, Brasília e Cuiabá, a companhia notou queda de produtividade e frequentes problemas de sobrecarga no sistema. A primeira atitude foi conversar com os funcionários pedindo o uso racional da internet e criar grupos de discussão sobre o assunto. Os usuários passaram a receber e-mails da diretoria pedindo para que o uso durante o horário do expediente seja estritamente para o trabalho.
''Nós percebíamos muito aquelas correntes, piadas, acessos de conteúdo impróprio, como sites eróticos e salas de bate-papo'', conta. Depois de muita conversa, em junho do ano passado o Centro de Processamento de Dados da empresa desenvolveu um sistema de monitoramento remoto de sistemas. ''O pessoal de informática detecta que a rede está carregada escolhe três ou quatro usuários e vê o que a pessoa está fazendo. Se for detectada alguma irregularidade é feita uma advertência. O segundo passo é cortar o acesso a Internet por alguns dias. E se houver reincidência, pode haver demissão''.
Os funcionários foram autorizados a usar a Internet para fins pessoais fora do horário comercial. ''A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Não dá para reprimir demais'', avalia Lunardon. Ele ressalta ainda que não existe legislação civil ou trabalhista para orientar as empresas sobre como agir nessas situações.
André Kischinezski, sócio do Instituto Infnet e professor de E-business na Fudanção Getúlio Vargas, considera que as empresas têm que ter uma política clara aos funcionários sobre as restrições e, neste caso, teriam o direito de exigir o uso adequado de sua estrutura. ''O uso inadequado expõe o nome da empresa e também aumenta os riscos de contaminar o sistema por vírus e facilita as invasões'', diz.
A Celepar, que cuida do sistema de informática do governo do Estado, também oferece ferramentas de controle de acessos e conteúdo de e-mails. Mas, de acordo com o analista Marco Aurélio Bonato, cada órgão tem autonomia para decidir se quer adotar esse controle e a maioria opta pelo acesso sem restrições. Existem aproximadamente 600 redes no sistema do Estado e, de acordo com Bonato, onde há monitoramente é comum encontrar acessos a chats e sites de conteúdo erótico.
O linguista Artur Roman é contra o controle rigoroso das mensagens e acessos. Para ele, a repressão desse comportamento pode ser negativa para o bem estar da equipe. O ideal é que cada empresa encontre soluções que cheguem a um meio termo.





