Rio – Os ajustes feitos pelas companhias aéreas brasileiras e estrangeiras na semana passada aumentaram a distância que já separava os dois grupos de companhias e tende a ampliar a surra que as transportadoras nacionais levam em alguns mercados, em especial o americano. Agora, 69% das ofertas de vôos entre o Brasil e os Estados Unidos estão nas mãos das empresas americanas, maior fatia histórica. Mesmo para a Argentina, onde as brasileiras vencem tradicionalmente, a redução de vôos acaba de chegar a 50%.
Um levantamento do Departamento de Aviação Civil (DAC) mostra que enquanto a Varig e a TAM oferecem 42 vôos por semana para os Estados Unidos, American Airlines, United Airlines, Delta Air Lines e a Continental Airlines estão operando com 93 vôos.
Além disso, as empresas americanas começaram, desde o início de 2001, a usar aviões maiores na rota. ‘‘Tem havido um encolhimento muito grande da participação brasileira. As americanas entraram para quebrar mesmo’’, diz o consultor aeronáutico Paulo Bittencourt Sampaio.
Por ironia, os atentados terroristas de 11 de setembro favoreceram, em parte, as empresas brasileiras, já que as gigantes americanas cancelaram vôos. Mas a reconquista de espaço já começou. No dia 17, a American retomou cinco vôos semanais.
Uma década após a Vasp e a Transbrasil conquistarem o direito de voar para os Estados Unidos, hoje apenas Varig e TAM fazem o trajeto, contra as quatro americanas. Há dois anos, a Vasp deixou de voar para o exterior e a Transbrasil parou de operar em dezembro.
No conjunto de mudanças nos seus vôos internacionais, a TAM, que herdou rotas abandonadas pela Vasp, deixa, ainda, de voar para a Alemanha e para a Suíça. Na prática, não há mais empresa brasileira voando para o mercado suíço e a bandeira nacional também perde força relativa no destino alemão. O objetivo básico é estancar prejuízos.

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