A declaração que dá título a este escrito é do presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures, e foi feita ontem a este Jornal num momento em que tantas críticas são feitas aos parlamentares e ao Governo pela demora nas reformas tributária, fiscal, trabalhista, previdenciária e política. Ele também condena a excessiva burocracia no Brasil (a maior do mundo, conforme pesquisa da empresa de consultoria Grant Thorton) é que é um dos grandes entraves ao desenvolvimento e um estímulo à informalidade. Para emoldurar este quadro sinistro acrescente-se a pesadíssima carga tributária brasileira, que é campeã mundial.
É verdade que os políticos só operam sob pressão, por isso o caminho é o de uma vigorosa mobilização a partir das bases empresariais, que são detentoras de grande poder mas o acionam muito pouco. E assim os políticos e governantes se acomodam e, muito pior, devem achar que se as classes produtoras e o povo não reagem agressivamente é porque tudo vai bem. Mas sabe-se que assim não é. A ocasião é oportuna para que a própria Federação das Indústrias dê a arrancada para um movimento naquele sentido, começando por acionar as bancadas paranaenses na Câmara e no Senado e buscando agregar também as associações congêneres de todo o País. Pronunciamento como o que agora Rocha Loures faz é importante, mas será preciso partir das palavras à ação e empreender uma marcha a Brasília para apresentar aqueles pleitos aos deputados e senadores. Porque são eles que propõem e votam leis e reformas. Sabe-se que certas mudanças não interessam ao governo federal, porque isso pode significar divisões no bolo tributário e a contenção da farra pública, mas se a nação não se mexer, os governantes pouco ou nada farão. Hoje, 40% da renda da cadeia produtiva são canalizados para os cofres públicos, em forma de impostos, e isso retorna vagaroso em obras e serviços, porque é preciso sustentar a pesada máquina governamental, o próprio sistema burocrático - que garante empregos a apaniguados atrapalhadores - e mais os superfaturamentos e a corrupção.
A volumosa soma de dinheiro sugado por essa viciada estrutura faz falta no meio circulante para a promoção do desenvolvimento. Pedir ao Governo arrecadador que tenha complacência com o dinheiro do povo será como implorar ao assaltante que seja generoso aos nos tomar a carteira e que a devolva. Só pelo uso da força - entenda-se uma vigorosa ação da classe empresarial e demais representatividades - é que se mudará as coisas e se fará melhor este Brasil. Ninguém mais qualificado que os produtores, em todos os seus segmentos (que afinal são os que mantém em pé a nação) para bater às portas dos Poderes e pressionar por mudanças.

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