Empresários não desistem dos apelos ao Governo
Embora analistas acreditem que a solução para a crise parta de onde se iniciou (os Estados Unidos), as fórmulas apontadas para o Brasil são a maior presença de ações do Governo e a melhoria da gestão empresarial, assim como o equilíbrio de estoques e a redução de custos, sem gerar desemprego. Só em dezembro, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos, foram demitidos no Paraná 50 mil trabalhadores da área industrial, e esta é a pior das medidas. Isto ocorreu num ano bom de negócios no setor, até setembro, mês em que irrompeu o crash nos EUA.
No caso do agronegócio, questiona-se até que ponto o Governo deu atenção consistente a esse setor. Dois entraves são o custo financeiro e o pesado encargo tributário, conforme quase 67% de opiniões do empresariado do setor, pesquisados pela agência prestadora de serviços PricewaterhouseCoopers.
Segundo essa pesquisa, é o setor agropecuário que responde primeiro a qualquer melhora de mercado, pois tem excelente fôlego de recuperação. Mas no momento está sucateado por logística deficiente e falta de infra-estrutura adequada na malha ferroviária, nas hidrovias e nos portos. No caso paranaense há uma corrente de otimismo entre o empresariado, no geral, pela perspectiva de boas oportunidades de negócios justamente por conta da onda alarmista da crise. Independente disto, as reivindicações persistem, como uma maior abertura de crédito para a atividade produtiva, de forma a propiciar mais capital de giro, a baixa da carga tributária, a redução do juro básico, o alongamento de prazos para pagar impostos e mais facilitação fiscal para exportação e importação. A política do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é também criticada, por contemplar mais as grandes empresas. Outro pleito é a agilização de obras públicas, de modo a dinamizar a economia pela abertura de vagas de trabalho e pela movimentação de capitais, tudo isto acompanhado do necessário corte das despesas públicas abusivas.
No Paraná o setor mais produtivo e promissor é o agronegócio, embora também tangido por quebra de safras. O campo tem dado sua resposta positiva, apesar dos percalços, por isso os três estados do sul são apontados como mais resistentes às pragas da crise. Mas não é por isso que o Governo deve deixar de atender às reivindicações dos produtores rurais e do empresariado no
geral.





