Empresários esperavam pacote mais ousado
Quem esperava ousadia no pacote de apoio ao setor industrial apresentado pela presidente Dilma Rousseff teve que se contentar com um programa bem tímido, em que a maior aposta, a desoneração do imposto sobre salário, causou mais decepção que euforia.
Batizado de ''Brasil Maior'', o programa foi criado a partir da preocupação com uma possível desindustrialização brasileira, caso ações concretas não fossem tomadas. O plano chegou na hora, pois dados do IBGE, divulgados recentemente, mostraram que a produção industrial caiu 1,6% em junho, na comparação a maio. A alta no acumulado do primeiro semestre ficou apenas em 1,7%, o pior desempenho desde 2009.
A maioria dos empresários e lideranças que se manifestaram sobre o pacote consideraram que o programa é um começo, mas eles esperavam principalmente que a diminuição de impostos sobre a folha de pagamento atingisse um número maior de empresas. Os principais beneficiados são as empresas que sofrem com a concorrência chinesa. O pacote reduz para zero a alíquota de 20% para o INSS de setores sensíveis ao câmbio, à concorrência internacional e também aqueles que mais empregam: confecção, calçados, móveis e softwares.
Por outro lado, o benefício do desconto do INSS será cobrado de uma outra forma, através de uma contribuição sobre o faturamento, com alíquota a partir de 1,5%. Tem empresário fazendo as contas para ver se a troca compensa.
Além da desoneração da folha de pagamento, outras medidas adotadas foram o incentivo à inovação, com crédito de R$ 2 bilhões à Finep; capital de giro, por meio do BNDES, para micros, pequenas e médias empresas; prorrogação do prazo do Programa de Sustentação do Investimento, do BNDES, para dezembro de 2012; estímulo à contratação de empresas nacionais em licitações do governo; redução da alíquota de ICMS interestadual; prorrogada ainda a redução do IPI para fabricação de automóveis e caminhões, material de construção e bens de capital.
O alívio na folha de pagamento das empresas de confecção, calçados, móveis e softwares vale até o final de 2012. Os efeitos da medida serão analisados por um comitê formado por empresários, sindicalistas e governo. A expectativa é que a medida incentive novas contratações e torne as empresas mais competitivas. Espera-se ainda que o pacote represente o início de uma ampla reforma tributária, principalmente na redução de encargos sobre a folha de pagamento de outros setores da economia.





