Passa João, passa Maria e outros 140 mil usuários todos os dias pelas duas portarias do Terminal Central, na Rua Professor João Cândido, em direção a um dos 253 ônibus convencionais em operação na frota da Transportes Coletivos Grande Londrina para uma das 63 linhas de transporte na cidade.
Sentado em um banquinho, o porteiro Edimilson Carvalho Santos, 27 anos, cumprimenta e pede com paciência a identidade de um senhor de cabelos brancos. ''Os idosos merecem um carinho especial'', afirma o deficiente físico baiano, que possui um desvio na coluna dorsal desde os 12 anos de idade, e trabalha na empresa desde 1º de junho. Sua jornada é dividida em dois períodos: das 12h10 às 15h30 e das 20h30 às 0h30.
Por estes dias termina os três meses de experiência do contrato de Edimilson e, segundo ele, começa sua carreira. ''Se depender de mim ficarei aqui até o fim da vida'', afirma convicto. O desejo não é impossível. A contratação de portadores de deficiência para cargos na empresa vêm sendo priorizada pelo setor de seleção e treinamento da Grande Londrina. ''A lei é clara. Se a empresa não está cumprindo a cota determinada pela legislação, ela deve priorizar as novas vagas para pessoas com deficiência'', afirma a chefe de seleção e treinamento Isaura Kakuno.
Dos 1.194 funcionários, atualmente 37 apresentam algum tipo de deficiência trabalhando em funções onde a restrição de mobilidade não impede que executem suas tarefas. ''Eles são, normalmente, muito solidários, prestativos e se preocupam com as outras pessoas'', revela Isaura. Segundo ela, isto é um ganho para a empresa.
Por mês, Santos e seus colegas de portaria atendem 843 mil idosos, menores de 6 anos, portadores de deficiência e seus acompanhantes, policiais fardados, portadores de carteira de passe livre, carteiros, oficiais de Justiça, fiscais e funcionários das empresas de transporte e da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). ''É gostoso trabalhar aqui. Estou me adaptando aos passageiros'', diz o porteiro.

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