Empresa de saneamento culpa fenômeno natural
Atualmente, cerca de 75% do abastecimento de água para os moradores de Colombo estão sendo feitos pelos dez postos do Aquífero Karst. A exploração atual é de 450 metros cúbicos por hora, o suficiente para abastecer cerca de 120 mil pessoas. Apesar da exploração frequente, há um ano a Sanepar não detectava qualquer caso novo de problemas estruturais e de solo nas chácaras e casas da região. Seis pedidos de recuperação de residências nas regiões de Fervidas e Sapopema estão sendo analisados.
Para o gerente de hidrogeologia da Sanepar, João Horácio Pereira, nem todos os casos têm relação direta com o bombeamento e captação de água do Karst. Ele diz que o solo da região é frágil e mesmo sem a interferência do homem pode estar sujeito a fenômenos naturais como secamento de fontes e rachaduras em casas. No entanto, ele confessa que a exploração acentuada do solo pode acelerar um processo que naturalmente demoraria centenas de anos.
''O aquífero é formado por rochas calcárias. A água vai formando cavernas e rios subterrâneos. Pode ocorrer acomodação do terreno por causa do solo instável e frágil'', explica. Até agora, dez casas foram indenizadas. A indenização pode ser feita para a reforma da casa (casos mais simples) ou retirada das famílias e alocamento em local similar (nos casos mais graves).
Para evitar o aceleramento dos problemas no solo, Pereira afirma que a Sanepar tem feito um controle rigoroso. Nas fontes que secaram, teriam sido disponibilizadas alternativas para irrigação do solo por parte dos agricultores. Foi realizado um estudo que definiu o máximo de exploração do Karst. Além de Colombo, Almirante Tamandaré que conta com 100% do abastecimento feito pelo Karst sofre com problemas estruturais nos terrenos e casas, principalmente na região central do município. Em Tamandaré, até maio de 2001 foram pagas 14 indenizações. Outras 15 ainda estão sendo analisadas.
Apesar de a Sanepar tentar justificar os abalos estruturais como sendo fenômenos naturais, técnicos garantem que a exploração da Sanepar é a responsável pela maioria dos estragos já observada. O técnico da Tecnosolo, responsável por alguns laudos na região, Cleves Armindo dos Santos, conta que a extração do Karst provoca desequilíbrio natural, o solo fica descomprimido e o terreno sofre abalos. Isso realmente ocorre por causa da extração da água'', confirma.





