Empregos e crescimento econômico
O resultado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), anunciado ontem pelo Ministério do Trabalho, ratificou o que todos esperavam: a economia vai mal e precisa de ajustes significativos. De acordo com os dados, no mês passado foram geradas 25.363 novas vagas. No primeiro semestre do ano, foram 588.671 postos de trabalho formal o menor saldo para o período desde 2008. Nos dois casos houve queda em relação ao mesmo período de 2013, mas as contratações caíram mais que as demissões.
Como esperado, a indústria de transformação puxou novamente a piora nos dados sobre o emprego formal, com o fechamento de 28,6 mil postos no mês passado, seguida pela construção civil (-12 mil) e o comércio (-7 mil). Somente agricultura e serviços tiveram saldo positivo. Paraná e Londrina também registraram queda na geração de empregos formais, puxada pela indústria de transformação.
O saldo do emprego, aliado ao IBC-Br (índice que estima a atividade a partir dos setores básicos da economia) que apresentou recuo de 0,18% em maio, apontam para um segundo semestre também ruim. Projeções indicam que a atividade industrial deve voltar a cair neste mês, puxada principalmente pelos feriados da Copa do Mundo, e inflação em alta. Além disso, setores da indústria paralisaram investimentos por conta da alta da tarifa de energia elétrica, que continuará a ser corrigida no próximo ano.
Uma economia em deterioração afeta a todos, sem distinção. Por isso, é importante que a sociedade aproveite o momento que é de campanha eleitoral para discutir o assunto e analisar propostas. O atual modelo, em vigência há mais de uma década, já não se mostra eficaz. A partir de uma análise simples dos indicadores chega-se à conclusão de que é preciso alterar urgentemente a política econômica. O momento sugere que é preciso mudar o discurso oficial para que todos enxerguem e combatam o problema.





