Empregos e cenário econômico
Mais um indicador divulgado ontem aponta para a deterioração da economia. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados mostram que o Brasil registrou o menor saldo de criação de vagas de trabalho com carteira assinada para julho desde 1999. O resultado é 71,5% inferior ao do mesmo mês do ano passado foram 11.796 vagas (2014) contra 41,5 mil (2013).
Importante lembrar que a abertura de novos postos de trabalho está em ritmo de queda desde 2013. O ano passado fechou com saldo de 1,1 milhão de novas vagas, resultado 14,8% menor do que o registrado em 2012. Além disso, abril deste ano registrou o pior desempenho dos últimos 15 anos, enquanto junho teve o pior resultado desde 2008. As estatísticas oficiais apontam claramente para a retração do mercado de trabalho, não há como negar.
Em parte, o resultado é puxado pela indústria de transformação que, neste ano, tem registrado sucessivas quedas de produção. Desaceleração do consumo interno e queda das exportações, aliado aos tradicionais gargalos da economia brasileira, têm afetado fortemente o setor. Esse cenário é ruim porque fecha vagas importantes que contratam trabalhadores qualificados e que, consequentemente, têm maiores salários. O setor de serviços tem "segurado" a geração de empregos, mas é importante lembrar que a mão de obra empregada não tem muita capacitação e a remuneração é baixa.
Mais uma vez, é importante afirmar que faltam reformas estruturantes e de estímulos à economia. Iniciativas pontuais e até mesmo contraditórias, como as anunciadas esta semana, não surtem o efeito esperado e apenas postergam uma solução mais efetiva e assertiva. Portanto, a pergunta que deve ser feita é quando serão adotadas medidas mais significativas e que contribuam mais fortemente para o desenvolvimento do País.





