Emprego industrial e crise econômica
O resultado da geração de empregos na indústria, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentado nesta semana, indica que a crise econômica mundial ainda não arrefeceu. Embora o Paraná tenha se sobressaído na comparação com os outros Estados, a média nacional ainda está negativa. Reflete a dificuldade que o setor tem enfrentado para manter a produção frente a um cenário externo desaquecido e para concorrer com importados que entram no mercado interno.
No caso estadual, o desempenho obtido em março foi positivo e atribuído pela ampliação de vagas de trabalho nos segmentos de produtos têxteis (14,3%), alimentos e bebidas (7%), produtos químicos (5,1%), outros produtos da indústria de transformação (2,5%) e máquinas e equipamentos (2,1%). Indica que os empresários têm buscado soluções para enfrentar um cenário ainda turbulento. É o caso, por exemplo, do setor têxtil, que conseguiu ampliar suas vagas mesmo com a concorrência de produtos chineses, que entram no mercado a preços muito mais baixos do que os custos nacionais.
Em um cenário desfavorável à produção local, se faz necessário a implantação de políticas públicas mais agressivas. As sucessivas desonerações tributárias concedidas pelo governo federal são medidas pontuais e chegam a impactar positivamente em um primeiro momento. No entanto, não atuam no cerne da questão e não resolvem o problema em definitivo.
A reforma tributária é uma necessidade, mas não é discutida seriamente. Além disso, faltam investimentos em infraestrutura logística, o que contribui para aumentar o custo dos produtos nacionais. Enquanto isso, a arrecadação de impostos e tributos sobe anualmente, sem proporcionar quase nenhum retorno aos cidadãos. Passou da hora da sociedade cobrar mais efetivamente do governo a mudança dessa política.





